MODOS INTERATIVOS DE LIDERANÇA
Uma estratégia criativa na relações de trabalho
Maria Rita Gramigna

A
empatia é uma forte aliada nas situações
de interação com o outro.
No nosso cotidiano de trabalho, deparamo-nos com situações difíceis e que, por vezes, promovem a ruptura da sinergia e dão lugar ao conflito nas relações.
Convivemos com colaboradores e pares que trazem
diferentes estórias de vida, estilos pessoais de atuação variados e,
alguns deles, incompatíveis com
as nossas expectativas
¨
Como lidar, por exemplo, com um
interlocutor que não quer nos ouvir ou que só ouve o que quer, quando o que
esperamos é sua atenção?
¨
Como desarmar um argumento
desfavorável em uma negociação sem a necessidade de corresponder ao confronto agressivo da outra parte?
¨
Como perceber e identificar o que está por trás
das palavras e gestos?
A arte do relacionamento pode ser reaprendida e aperfeiçoada, desde que tenhamos interesse, instrumentos e vontade de criar um clima propício à interatividade.
Há algum tempo, venho me apoiando no estudo de Edward De
Bono, um dos maiores especialistas em pensamento criativo de nossos tempos,
para lidar com as diferenças, respeitando cada estilo e agindo de forma a
estabelecer a empatia nas relações de trabalho.
É mais inteligente buscar a interação do que usar a reação.
Segundo Aurélio, “interação
é a ação que se exerce
mutuamente entre duas ou mais pessoas e reação
é o ato de reagir, é a resposta a
uma ação que tende a anular a precedente. É uma força que se opõe à outra”.
De Bono afirma que as pessoas se comportam de seis maneiras básicas.
Para ancorar sua teoria, usou a metáfora do chapéu e coloriu cada um deles, dando significados específicos que indicam tendências pessoais de relacionamento.
Uma liderança comprometida com seus liderados, tem a
responsabilidade de buscar ações
interativas que facilitem a sinergia e propiciem um clima assertivo nas relações de trabalho.
DICAS DE MODOS INTERATIVOS
DE LIDERANÇA:
CHAPÉU VERMELHO: a
pessoa com o chapéu vermelho comporta-se e pensa usando a emoção como
âncora. Geralmente deixa transparecer em seus gestos e atitudes o que está
sentindo. Se está satisfeita e concorda com os pontos de vista do outro,
torna-se forte aliada. Se discorda,
tende a colocar-se na defensiva forma explícita.
Quando um líder se deparar com um colaborador de “chapéu vermelho” insatisfeito, terá maiores chances de obter sucesso em seu relacionamento se usar a estratégia do chapéu branco.
CHAPÉU BRANCO: o chapéu
branco aponta em direção à neutralidade
e ausência de idéias preconcebidas. Os
argumentos sob a tutela do chapéu branco
são objetivos, claros, isentos de parcialidade
e baseados em dados reais. O
comportamento correspondente é de tranqüilidade, negociação e escuta - o que
poderá desarmar uma explosão emocional do chapéu vermelho.
CHAPÉU PRETO:
aquele que escolhe o chapéu preto como
modelo de comportamento, tende a usar o pensamento lógico negativo.
Apresenta atitudes de crítica positiva quando
e alerta para o que pode dar errado em um projeto ou idéia. Se usado em
excesso, transforma seu interlocutor no eterno “do contra”. Para lidar com o pensador do chapéu preto
faz-se necessário colocar na cabeça as idéias do chapéu amarelo.
CHAPÉU AMARELO: as
atitudes e comportamentos do pensador do chapéu amarelo revelam otimismo.
Quando argumenta e usa perguntas, adota a estratégia especulativa e positiva,
sem passar a idéia de discordância ou de imposição de pontos de vista. O chapéu
amarelo permite mostrar ao interlocutor, o outro lado da moeda - o que pode
“dar certo”, as oportunidades e possibilidades, neutralizando as barreiras
daqueles que só vêem o lado mau dos fatos. O chapéu amarelo permite transformar
uma crise em oportunidade.
CHAPÉU VERDE:
o chapéu verde faz com que as pessoas transponham bloqueios à criatividade e
apresentem idéias inovadoras e revolucionárias. É importante que as lideranças
estimulem este tipo de pensamento, apoiando aqueles que demonstram criatividade. A empresa que
inova em suas práticas tem maiores chances de permanecer no atual mercado
competitivo. É necessário reconhecer os
talentos, apoiá-los, oferecer recursos e poder
para a concretização de idéias criativas.
CHAPÉU AZUL:
o chapéu azul dá àquele que o usa o poder da síntese. Seu comportamento
demonstra segurança. Faz as perguntas certas na hora certa e colabora na tomada
de decisões. Quem usa o chapéu azul apresenta boa capacidade crítica, apoiada
no pensamento lógico-racional. As
lideranças podem se cercar dos pensadores do chapéu azul para assessorá-los em
momentos de decisões importantes.
Cabe ressaltar que, antes de usar a estratégia da
interatividade, faz-se necessário uma reflexão com o objetivo de descobrir com
qual chapéu nos sentimos mais à vontade. Este será aquele que, certamente
usamos com mais frequência.
Para liderar pessoas diferentes e manter um bom
relacionamento com os liderados, é preciso desenvolver a flexibilidade e
transitar caminhos variados.
E então, qual é seu estilo dominante? Qual o chapéu que você
mais usa? Você se adaptaria aos outros estilos de chapéus, caso fosse
necessário?
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