ÍNDICE
Prefácio
INTRODUÇÃO
O INÍCIO DA INVESTIGAÇÃO E O ESTUDO
DA
PESSOA CRIATIVA
A pessoa como entidade criativa
O estudo dos traços de personalidade
Inteligência e criatividade
Motivação intrínseca e extrínseca
Idade e criatividade
Criatividade e saúde mental
O reconhecimento da eminência criativa
Resumo
O PROCESSO CRIATIVO
Percepção e criatividade
Memória e criatividade
A intuição
Por Samuel A. Carvalho
Processos de grupo
O método Osborn-Parnes de resolução de problemas em
grupo
Epílogo
AMBIENTE
Família e escola
Por Joana V. de Sousa
Criatividade nas organizações
O clima criativo
Por Sónia Xavier Graça
Cultura e criatividade
Por Armanda Machado, Elizabete Nunes e Pedro Antão
O PRODUTO CRIATIVO
Criatividade com "c" e com "C"
Os critérios de avaliação do produto
Resumo
THE CONSTRUCT OF CREATIVITY
Theoretical approaches and definitions
Main sources of controversy
Conceptual limitations of hetero-attributed creativity
The evaluation made by experts
Historical evaluation
Hetero-attributed creativity as communication
Hetero-attributed creativity as innovation
Conceptual limitations of self-attributed creativity
Creativity as a process
Originality as a condition
Creativity as development
Summary
REFERÊ NCIAS
PREFÁCIO
ERA UMA VEZ...
Ou melhor: há-de vir a ser uma vez, porque esta história se
passa no final do século XXI.
E é a história de um jovem e genial inovador, um daqueles
homens que, pela forma como conjugam pensamento e acção,
acabam por alterar a face do mundo e o fluir da História.
Não lhe vou dar um nome, porque ele pode vir a ser um dos
vossos bisnetos. Em qualquer caso, haverá que, antecipadamente, venerar
a sua memória futura, como um dos salvadores da Humanidade.
Porque a Humanidade estava, nesse final do século XXI, à
beira da ruína final. Não era uma questão de espiral
inflacionária, nem de luta de classes, nem de guerra generalizada;
era uma questão bem mais primordial e portanto bem mais grave: era
uma questão cultural e mental. Sem estímulo, sem vontade, sem
criatividade, o Homem definhava. Tudo estava feito e pensado, nada mais havia
para criar; e nada mais havia para aprender, não porque se soubesse
tudo, mas porque quase dois séculos de informações excessivas,
mal processadas e mal digeridas, haviam embrutecido o espírito humano
a ponto de impossibilitar a aprendizagem. O que, entre outros inconvenientes
facilmente discerníveis, havia conduzido à mais absoluta servidão
política e económica: os eleitorados, despojados de criatividade
e defesa, haviam-se deixado dominar pela propaganda, sobretudo a insidiosa
propaganda cinzenta, e pela
mensagem publicitária, sobretudo a terrível e criminosa mensagem
subliminar.O jovem olhou em sua volta, e disse, com o atrevimento da juventude:
O que nos falta é exercício. De tanto vermos futebol sentados
no estádio ou em casa, embriagámo-nos com o exercício
dos artistas pagos para nos dar emoções que já nem sequer
sentimos.
De tanto absorvermos informação audiovisual já processada,
sabe-se lá por quem, estamos à beira da analfabetização.
Então, o que é preciso é um exercício completo,
isto é, que mobilize o corpo e o cérebro.
....
E, já no fim da sua vida, este genial inovador, este homem
generoso e bom, teve um último rasgo de génio. Porque os sucessivos
governos, como é hábito de todos os governos, haviam onerado
com impostos toda a matéria-prima usada no fabrico das canetas, ele
concebeu uma nova caneta ainda mais económica e mais revolucionária.
Uma caneta ecológica, vinda directamente da Natureza: uma simples pena
de pato com a extremidade aguçada, oque veio garantir a sobrevivência
destas aves, que estavam, como todas as outras, e com excepção
dos abutres, em vias de extinção.
Temos assim que esse grande inovador, o vosso eventual
bisneto, salvou a escrita, salvou a cultura, salvou a Humanidade e salvou
os patos.
E é em sua memória futura que eu peço a vossa homenagem.
João Aguiar