Revista Recre@rte Nš7 Julio 2007 ISSN: 1699-1834      http://www.iacat.com/Revista/recrearte07.htm

 

Relatos de Pesquisa:

A MUSICOTERAPIA NO DESENVOLVIMENTO
 DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS EM UMA EMPRESA¹

 

Cristiane Oliveira Costa*

 

¹ Trabalho escrito a partir de monografia apresentada pela autora, ao Curso de Bacharelado em Musicoterapia, da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás – Brasil, sob a orientação da Profª. Drª. Mt. Leomara Craveiro de Sá (UFG/GO) e co-orientação da Profª. Drª. Elizabeth Esperidião Cardozo (UFG/GO).

*Musicoterapeuta Organizacional do Sistema FIEG - SESI. Atuando como Musicoterapeuta no Recrutamento, Seleção e Desenvolvimento de Equipes de Trabalho. Pós-graduanda em Consultoria e Gestão de Grupos pela UCG – Universidade Católica de Goiás, em parceira com SOBRAP – Sociedade Brasileira de Psicoterapia, Dinâmica de Grupo e Psicodrama. Docente da UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú – Ceará.

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RESUMO

O presente trabalho resulta de uma pesquisa envolvendo as áreas de Musicoterapia e Recursos Humanos. Tem, como principal objetivo, investigar como a Musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento das relações interpessoais entre os funcionários de uma empresa. Fundamenta-se na Abordagem Gestáltica, no que se refere à sua contribuição ao estudo da dinâmica de grupos, e à Musicoterapia, como suporte terapêutico e de análise dos fenômenos relacionais dos participantes do grupo musicoterápico no processo grupal.

Palavras-chave: Musicoterapia; Recursos Humanos; Gestalt-terapia; Processo Grupal.

 

ABSTRACT

The present work results of research involving the Music Therapy areas and human resources. It has, as objective principal, to investigate as the music therapy can aid in the development of the personal relationships between the employees of a company. It is based in the Gestalt theory, that refers to the contribution to the study of the dynamics of groups, and to the Music Therapy, as therapeutic support and of analysis of the relate phenomena of the Music Therapy Group participants in the group process.

Keywords: Music Therapy; Human Resources; Gestalt Therapy; Group Process.

 

INTRODUÇÃO

                     Vive-se num momento onde a única variável é a certeza de mudanças. As mudanças são muitas, contínuas e cada vez mais velozes. Tal situação cria a todo momento ansiedade e insegurança nas pessoas. O papel da área de Recursos Humanos no contexto organizacional é fundamental, pois assume o papel de agente facilitador da mudança oferecendo suporte aos colaboradores (funcionários) e ajudando-os a ultrapassar esses momentos de transição.
Em muitas empresas, a gestão de seus Talentos Humanos – as pessoas – era encarada exclusivamente, segundo Chiavenato (1996, p.55), como centros de custos, pois ter pessoas era necessariamente ter despesas fixas que afetavam o orçamento da empresa. Hoje sabe-se que os funcionários que compõem uma organização são a alma, o coração e o cérebro que integram a mesma e fazem com que ela cresça, ou seja, as pessoas são o maior patrimônio da empresa.
Para que a organização possa crescer e se desenvolver é preciso valorizar seus Talentos Humanos priorizando a qualidade de vida no trabalho. Foi pensando neste contexto que surgiu a idéia de investigar como a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento das relações interpessoais entre funcionários de uma empresa. Segundo Millecco (2001, p.110) musicoterapia é uma terapia de auto-expressão que estimula o potencial criativo, ampliando a comunicação, além de mobilizar os aspectos biológicos, psicológicos, culturais e espirituais. Sendo assim, a musicoterapia poderá ajudar na diminuição do estresse, ajudar os indivíduos a desenvolverem suas potencialidades, habilidades, comunicação, competências, a manter um equilíbrio para que sua motivação no trabalho mantenha-se elevada; para desenvolver sua capacidade de inter-relação, e ainda, ajudá-los a adaptar-se, ou melhor, a integrar-se a uma organização dinâmica.
A necessidade de atuar, pesquisar e escrever nessa área ocorreu por motivação pessoal e em atendimento à solicitação da empresa onde estudo foi desenvolvido. Portanto, esse trabalho aborda a prática da Musicoterapia na área de RH, sendo realizada em atendimento musicoterápico grupal.
Como objetivos específicos desse trabalho, tem-se: conhecer as contribuições da musicoterapia no desenvolvimento das relações interpessoais; identificar a aplicabilidade da musicoterapia na área de Recursos Humanos; identificar e analisar as relações interpessoais existentes entre os funcionários que trabalham na empresa em estudo; verificar como a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento das relações entre as pessoas numa empresa e gerar material bibliográfico para o desenvolvimento da musicoterapia na área organizacional, por se tratar de uma área que ainda está em desenvolvimento e com pouca ou quase nenhuma bibliografia específica.

 

METODOLOGIA

Refletindo sobre a nossa prática musicoterápica, buscou-se fundamentar o trabalho na Abordagem Gestáltica, ou seja, na Gestalt-terapia por se constituir uma prática que compreende o homem como um todo, tendo uma visão dinâmica e multidimensional do ser humano.
O trabalho foi desenvolvido numa empresa privada de médio porte, que atua no ramo de prestação de serviços, voltada para a organização de eventos da cidade de Goiânia e demais estados.
O sujeitos da pesquisa foram os funcionários da empresa em questão, que pertenciam ao departamento administrativo/financeiro e ao departamento de projetos. O grupo de funcionários era composto por três mulheres e oito homens. A faixa etária desse grupo variou entre 20 a 35 anos.
A triagem do grupo de funcionários que participaram destra pesquisa foi realizada pelo departamento de Talentos Humanos da própria empresa, onde o mesmo se encarregou da escolha dos participantes.
O grupo era fechado, formado por 11 participantes, tendo dois encontros semanais com a duração média de uma hora a uma hora e trinta minutos, dependendo da atividade realizada ou da necessidade que o grupo tinha em se expressar verbalmente, sonoramente ou musicalmente.
Os encontros musicoterápicos foram realizados em uma sala que dispunha de um grande espaço físico e que ficava separada dos outros departamentos da empresa. Foram realizados 26 encontros, no total.
Durante os encontros musicoterápicos, foram utilizados os quatro tipos de experiências musicais definidos por Bruscia (2000, p. 121): “improvisação, re-criação (variação paródia de canções), composição e receptiva (audição)”. Também foram utilizados a voz, fazendo improvisações vocais com melodias de musicas conhecidas ou não; cantando musicas conhecidas ou compostas pelo grupo,  além de utilizarmos sons corporais como: assobio, gritos, palmas dentre outros com o objetivo de explorar os sons do corpo humano, fazendo dele um instrumento sonoro musical.
Inicialmente a coleta de dados realizou-se através do preenchimento da ficha musicoterápica com os participantes do grupo. E em continuidade, durante os encontros, foram realizados também o preenchimento de dois questionários ‘informais’: um elaborado pela musicoterapeuta e um outro elaborado pelo Departamento de Talentos Humanos da empresa. Em alguns encontros foram realizadas gravações em áudio (fita K-7) para registrar a produção sonora e musical dos participantes do grupo. Para estes registros solicitou-se a permissão dos participantes do grupo.
Todos os dados coletados, dos encontros musicoterápicos, significativos para esta pesquisa, foram documentados em forma de relatórios progressivos (dos encontros musicoterápicos), questionários informais, gravações em áudio (com transcrições) e depoimentos informais (estes obtidos nos relatórios dos encontros musicoterápicos).
Toda a analise feita a partir dos relatórios progressivos e dos resultados obtidos nos questionários informais, foi com o intuito de mostrar “se” e “como” a musicoterapia pode auxiliar no desenvolvimento das relações interpessoais entre os funcionários de uma empresa.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os funcionários que compõem uma organização são a alma, o coração e o cérebro que integram a organização e fazem com que ela cresça. Mas, para que esses funcionários trabalhem como um corpo unido e dinâmico é importante que os mesmos estejam bem nos seus aspectos bio-psico-social e espiritual. E é nesta perspectiva que a musicoterapia atua, ou seja, como um meio para desenvolver e/ou intermediar relações, possibilitando o desenvolvimento de processos intra e interpessoais (foco deste trabalho), mobilizando e atuando nesses indivíduos, proporcionando assim mudanças em seu ambiente de trabalho.
“A musicoterapia é a utilização da musica e/ou dos elementos musicais (som, ritmo, melodia e harmonia) (...) pelo grupo, para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, à aprendizagem, a expressão, e a mobilização dos aspectos bio-psico-social-espiritual para desenvolver potenciais e desenvolver ou recuperar funções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra e interpessoal e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida” (Ruud in Bruscia, 2000, p.286).

 

Durante os primeiros encontros musicoterápicos o grupo mostrou-se “estar junto”, querendo trabalhar em união e harmonia. Só que toda consigna dada ao grupo, era realizada individualmente pelos membros do grupo. Devido a isso foi diagnosticado no grupo uma dificuldade em trabalhar em grupo, pois havia uma falta de comunicação e não havia entrosamento entre eles.
Isto pode ser observado através de uma composição feita pelo grupo, onde eles criaram a melodia, a harmonia e a letra da musica:

“Tudo pode acontecer”

Como uma informação assim se altera tanto;
Uma palavra simples pode resolver;
Porque ficar assim procurando uma resposta;
Se com união tudo pode resolver;
{Meu Deus não! Eu não posso ficar sem ver a montagem acontecer} 2 vezes

Segundo a percepção do próprio grupo, a letra da música diz de forma bem clara o que acontece em seu ambiente de trabalho. Através dela, perceberam que estavam agindo individualmente. Segundo relatos do próprio grupo:
“É um problema que a empresa vive hoje”.
“A música reflete o que acontece no grupo”.
 “Durante todo o ano de trabalho, cada um age sozinho dando o seu melhor para no final ver a montagem acontecer, mas depois todos estão arrebentados”.
Segundo Ribeiro (1994, p. 39), o grupo é o melhor intérprete de seu processo e nesta perspectiva, no decorrer dos encontros, o grupo passou a colocar sua dificuldade de não conseguir expressar seus sentimentos. E isto pode ser afirmado pelo relato do próprio grupo no 3º encontro, onde sintetizaram em três frases o que estavam sentindo:
“Sentimos e temos a necessidade de nos expressar, mas não conseguimos transformar em palavras os sentimentos do coração”.
Ainda, Ribeiro (Op. Cit) nos diz que “o grupo é um fenômeno complexo, uma realidade maior que a totalidade dos elementos que o compõem. A leitura dessa realidade supõe cuidados especiais, sensibilidade aguçada, observação humilde e paciente” (p. 46). Sendo assim, devido às questões que emergiram no 5º encontro, o grupo trouxe à luz a necessidade de se usar mascaras: “... temos que colocar uma mascara de riso e vir para a musicoterapia, pois temos que rir de qualquer jeito”. Foi possível observar que essa necessidade emergiu devido ao medo de não serem aceitos uns pelos outros, tendo assim que omitirem verdadeiramente o que são, com o intuito de quererem agradar de qualquer forma uns aos outros para não serem rejeitados.
Inicialmente, de acordo com Ribeiro (Op. Cit., p.37), o grupo é um dado nebuloso, à procura da própria claridade. Tudo o que acontece no grupo é rico de significados, nada é neutro. Tudo é uma forma de linguagem. E desta forma, durante o trabalho com as máscaras unido à expressão musical, que aconteceu durante 4 encontros seguidos, o grupo foi trabalhando com elas e foi percebendo que as mesmas tornaram-se uma personificação deles mesmos, ou projetaram nelas tudo o que não gostavam ou que havia de ruim neles. Isso pode ser observado através de relatos de alguns participantes do grupo:
“Não gostei da minha mascara, ela é feia e esquisita”.
“Não gosto dela e nem estou suportando olhar pra ela”.
“Me incomodou porque minha mascara demonstrava meu outro eu (...) coisas que eu não gosto ou que não quero ver em mim”.
“Não gostei dela, porque a gente se esconde através de uma mascara e não mostra o que realmente somos”.
“Ela me incomodou muito, mas me trouxe muita reflexão sobre a minha vida”.
“Me incomodou muito e com ela aprendi que posso ser eu mesmo, porque se nos escondemos vamos nos sufocando e por isso nos incomoda”.
Os trabalhos integrando as máscaras às expressões musicais, fizeram promover no grupo uma transformação. Cada membro do grupo começou a se auto-conhecer, a entrar em contato consigo. Pois, segundo Ribeiro (Op. Cit, p.44), o processo de um grupo, é um movimento energético através do qual os membros do grupo experienciam, consciente e inconscientemente, os diferentes estágios de sua mudança, à procura de novos e criativos caminhos para lidar com a vida.
Podemos dizer que, a partir desse trabalho com as máscaras unido às expressões musicais, o grupo se deu uma nova oportunidade, onde passaram a se permitir conhecer e a deixar-se conhecer. O grupo começou a perceber que, através da relação com o outro, posso me descobrir, desenvolver, crescer e mudar, tanto como pessoa, quanto como profissional. Assim, Seattle (in Boog, 2004, p. 1) afirma que, “o homem não teceu a teia da vida: ele é simplesmente um fio nessa teia. O que quer que ele faça á teia, ele faz a si mesmo(...)”.
Diante disso, os membros do grupo começaram a se sentirem aceitos e valorizados uns pelos outros, deixando assim de agirem individualmente. E isto pode ser visto através de canções dedicadas uns aos outros a partir do 11º encontro, onde todas falavam sobre amizade. Segundo relatos do grupo:
“Cativar é amar, é também carregar, um pouquinho de amor que alguém tem pra levar(...)”
“Amigo é coisa pra se guardar (...)”
 “Se precisar de um amigo, olha pra dentro de mim (...)”
Através das musicas/expressões musicais percebemos também que, para o grupo, ser considerado um amigo é ser aceito, percebido e valorizado pelo outro, aspecto salientado por Bruscia (2000, p.275), ao afirmar que a musicoterapia auxilia e contribui no desenvolvimento das relações interpessoais, através da música, promovendo o respeito, a aceitação, a empatia e a harmonia, além de melhorar a interação entre os membros do grupo.
O grupo passou a viver então um momento de descoberta, crescimento, conhecimento, união, harmonia e um processo de confiança, amizade, entrega, intimidade, afeto, carinho e companheirismo. O grupo percebeu que só se desenvolve, aprende e cresce através da troca com o outro, entendendo que, para ser um grupo, é preciso conhecer, aceitar e compreender o outro, pois cada um é diferente do outro.
E com base em Ribeiro (Op. Cit, p. 173),
“o grupo na medida em que amadurece, adquire a sabedoria de saber esperar, de conviver com a ambigüidade, e tais atitudes passam necessariamente por um aprendizado interior onde a relação consigo mesmo se torna o protótipo da relação eu-outro”.

 

             Um outro fator, pelo qual podemos observar o crescimento do grupo e um maior desenvolvimento das relações interpessoais, foi através da criação de duas composições no 23º encontro nas quais o grupo destacou qualidades e características de seus membros:
Uma parte de todos
Necessário é ter motivação e comunicar a arte de alegrar} refrão
Ser como o Fernando, companheirismo;
Ser engraçado como o Roberto, extrovertido;
Ficar inteligente com o Carlos, boa gente;
E com o Miguel pede com fé você será atendido;
- Em que posso servir, bom dia Cláudia!

A Paciência
Esse grupo que apresento: É o grupo paciência
Eles são nossos colegas, Eles são a paciência
A Aline ta mais jovem, o Eduardo hoje é casado
E o Maurício nosso tenor, o Daniel é o novato
Temos a Laura determinada, falta o Junior Abençoado
Abençoado, Abençoado
E todo o grupo Abençoado}bis

      Estas duas composições foram criadas pelo grupo para serem dedicadas uns aos outros. Para tanto, o grupo dividiu-se em dois subgrupos para criá-las. Após a composição das mesmas, cada subgrupo apresentou a sua composição para o outro. Assim, segundo o relato do próprio grupo: “foi muito bom receber a composição um do outro. Não tivemos dificuldades para compor uns para os outros. Antes era difícil compor, hoje não é mais”.
Tomando por base o pensamento de Bruscia (2000), a musicoterapia é a utilização da música, seja ela, através do método de composição, como um processo criativo para desenvolver e manter o máximo potencial humano.
E nesta perspectiva, Ribeiro (Op. Cit., p.49), diz que “essa é a realidade grupal. Ali nem o sujeito é puro sujeito, nem o grupo é puro grupo, mas ambos são aqui e agora, tempo e espaço, essência e existência”.
Ao observarmos todo o processo grupal, pudemos notar que o grupo, através dos encontros musicoterápicos, conseguiu se expressar uns para os outros, deixando de agir individualmente, promovendo união e harmonia no grupo, ajudando, assim, no desenvolvimento das relações interpessoais, gerando mudanças no ambiente de trabalho.

CORRELAÇÕES ENTRE OS OBJETIVOS DA PESQUISA E OS RESULTADOS OBTIDOS

Diante dos objetivos traçados nesta pesquisa pudemos conhecer e verificar as contribuições da musicoterapia no desenvolvimento das relações interpessoais. Isto pôde ser observado pelos questionários informais realizados durante os encontros musicoterápicos, através das respostas dadas pelos participantes do grupo que, segundo eles, participar da musicoterapia dentro do ambiente de trabalho, possibilitou:
- “Uma maior interação e um melhor relacionamento com os colegas de trabalho”;
- “Um maior conhecimento do outro”;
- “Crescimento intra e interpessoal no trabalho”;
- “Uma melhor convivência com os colegas, no trabalho”;
- “Um maior contato com os colegas de trabalho”;
- “Amizade, segurança, confiança, criatividade e mais conhecimento. Força para superar dificuldades, paciência e compreensão”.
Mesmo a musicoterapia organizacional sendo um campo ainda em desenvolvimento, podemos identificar neste trabalho, sua aplicabilidade altamente positiva. E, especificamente que a musicoterapia é utilizada como um meio para liberar pulsões, ajudar na diminuição do estresse, ajudar os funcionários a desenvolverem suas potencialidades, habilidades, comunicação, competências, a manter um equilíbrio para que sua motivação no trabalho se mantenha elevada; para desenvolver sua capacidade de inter-relação, e ainda ajudá-lo a adaptar-se, ou melhor, a integrar-se a uma organização dinâmica.
Pudemos observar também, que em relação à aplicabilidade da musicoterapia na área de Recursos Humanos tivemos, segundo os relatos:
- “Uma oportunidade para descansar o corpo, mente e trabalhar com mais disposição”;
- “Diminuição e alívio do stress”;
- “Maior criatividade”;
- “Uma nova forma de encarar as dificuldades”;
- “Maior descontração no trabalho”;
- “Mente sadia e boa concentração”;
- “Maior criatividade e produtividade”;
- “Aumento da sensibilidade e motivação no trabalho”;
- “Maior equilíbrio, disposição física e emocional”;
- “Dá mais ânimo e força para a batalha durante a semana, além de paciência e sociabilidade”;
Apesar de não constar nenhuma pergunta nos questionários dirigida para o nosso tema: “A musicoterapia no desenvolvimento das relações interpessoais entre funcionários de uma empresa”, pôde-se observar respostas voltadas direta ou indiretamente para esta questão, verificando assim como a musicoterapia pôde auxiliar no desenvolvimento das relações interpessoais. Os funcionários da empresa que participaram dos encontros musicoterápicos, relataram que a musicoterapia modificou seus relacionamentos dentro da empresa em 93,2 % nos seguintes aspectos:
- Houve um maior relacionamento com os colegas dos outros departamentos, pois antes era cada um em sua “toca”. Chegavam para trabalhar, entravam em seus departamentos e só saiam dali para o almoço e ir embora;
- Houve uma maior liberdade de expressão e melhor comunicação e também entendimento das dificuldades do outro, além de melhorar a convicência com grupo – colegas de trabalho;
- Houve um maior conhecimento do outro (defeitos e qualidades) e mais unidade com os colegas;
- Houve uma diminuição da vergonha e uma maior expressão dos sentimentos, falar do que pensa e sente;

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Queremos colocar, aqui, que nesta pesquisa pudemos perceber o quão grande a musicoterapia pode beneficiar e contribuir nas relações de trabalho dentro de uma organização. Isto porque, além dela auxiliar no desenvolvimento das relações interpessoais, ela promove auto-conhecimento; desenvolve as potencialidades, competências, habilidades, auto-expressão,  comunicação e a criatividade das pessoas; e ainda, é utilizada como um meio para liberar pulsões e ajudar na diminuição do estresse, dentre outras coisas.
Através dos resultados obtidos pudemos observar que os funcionários da empresa passaram a trabalhar com mais disposição, havendo uma melhor convivência com seu grupo de trabalho, além de melhorar a produtividade e interação entre os mesmos. Isto pôde ser confirmado e evidenciado através de expressões verbais, onde os participantes do grupo afirmaram que a musicoterapia modificou seus relacionamentos dentro da empresa, promovendo maior integração entre departamentos, ajudando-os a entender que cada um é diferente do outro, gerando, assim, uma melhor comunicação e liberdade de expressão entre eles.
É importante ressaltar, aqui, as composições feitas pelo grupo. Através delas, o grupo encontrou um meio de expressarem seu carinho, afeto, confiança, amizade, respeito, ajuda e entrega uns para os outros. A composição ajudou o grupo a desenvolver suas habilidades de planejamento e organização em grupo que antes não tinham; a solucionar problemas de forma criativa; e a ter uma visão das partes integradas a um todo. O grupo aprendeu que trabalhar em grupo é muito mais prazeroso e produtivo do que trabalhar sozinho. Segundo um particpante em um dos encontros “ninguém é feliz sozinho”.
Acreditamos que a musicoterapia dá ao funcionário de uma empresa um meio para que o mesmo entre em contato com seus sentimentos e emoções, podendo expressar-se através da música, dos instrumentos, dos sons, do corpo ou de outras formas que venham facilitar a liberação de suas expressões, sentimentos e desejos, fazendo com que ele mesmo, sinta-se mais leve, confiante, produtivo, criativo, melhorando, assim, sua relação com outros colegas de trabalho.
Podemos dizer que essa imensa satisfação de ter atuado com um grupo de funcionários na área de Recursos Humanos, contribuiu muito em nosso desenvolvimento enquanto pessoa. Sendo assim, podemos dizer que houve uma aprendizagem mútua no decorrer de todo o processo. Nós, atuando enquanto ‘músico – terapeuta’ de um grupo, e o grupo enquanto grupo, vivenciando e experienciando seu processo.

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