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Revista Recre@rte Nš7 Julio 2007 ISSN: 1699-1834 http://www.iacat.com/Revista/recrearte07.htm |
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A MUSICALIZAÇÃO COMO ESTÍMULO NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM PARA OS PORTADORES DE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS Andreza Boll - Pedagoga (FURB), Especialização em Educação Inclusiva (ICPG/UNIASSELVI), Professora da APAE/Blumenau
Abstract From the precocious musical experiences, the thought of the child gradually goes if organizing. Therefore, when plus it it has chance to compare the executed actions and the sensations gotten through the musical bath that receives, more its musical intelligence goes if developing. Aiming at to extend this knowledge, music will be able to serve as subsidy better to understand the reactions of the said children normal and mainly the special carriers of educative necessities. It is looked to detach therefore, the importance of the musicalization in the global development (partner-affective, cognitive-linguistic andpsychomotor) of the child and in consequence of this, affirms it necessity of if structuralizing this psicopedagogicalintervention in scientific bases, that favor the understanding and the explanation of the cognitive structural modifibility, detached for the advances of the neurosciences.
Palavras-chave: Musicalização , ensino-aprendizagem e necessidades educativas especiais
01. INTRODUÇÃO A partir das observações realizadas com Portadores de Necessidades Educativas Especiais (PNEE) no período de estágio curricular do curso de Pedagogia da FURB, constatamos a necessidade de criar novos estímulos para com estas crianças. Foi com esta preocupação que buscamos realizar um projeto onde houvesse diversificação e inovação para abordarmos a musicalização em sala de aula. Com este intuito, desenvolvemos o foco “A musicalização como estímulo no processo ensino-aprendizagem para os portadores de necessidades educativas especiais”, ou seja, o que ela é, e o que é capaz de fazer para inovar esta aprendizagem, durante o trabalho de conclusão de curso. a partir das experiências musicais, o pensamento da criança vai se organizando. E quando mais ela tem oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência e seu conhecimento vão se desenvolvendo.
02. A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE ESTIMULAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO HUMANO A música pode se constituir em uma maravilhosa ferramenta psicopedagógica, a medida em que ela tem efeito fisiológico direto nas pessoas, incrementando o volume de sangue, diminuindo e ajuda a estabilizar o ritmo do coração e baixando a pressão sangüínea. Psicologicamente, realiza muito: pode nos relaxar, fazer recordar ou ter toda classe de sentimentos, dependendo do que projetemos sobre a música (FRETGMAN, 1990; STRALIOTTO, 2001; BECKER, 2003 e KREPSKY, 2005 ). A musicoterapia é o campo da medicina que estuda o complexo som-ser humano-som, para utilizar o movimento, o som e a música, com o objetivo de abrir canais de comunicação no ser humano, para produzir efeitos terapêuticos, psicoprofiláticos e de reabilitação no mesmo e na sociedade. A própria palavra Musicoterapia deixa claro que seu objetivo fundamental é a terapia, mas vamos desenvolver mais neste artigo, a música dentro de uma perspectivas psicopedagógica (musicalização), pois a música ajuda a pessoa a manter o contato com a realidade e o sentido da totalidade, não somente com aspectos abstratos do pensamento, mas em múltiplas formas que demonstram uma transformação e entendimento de novas criações musicais, podendo chegar a palavra e à verbalização. [...] a música utiliza, pois, oito fatores: melodia, harmonia, ritmo, tempo, dinâmica, timbre e cor. Mas os utiliza uma forma particular, com a finalidade de que o produto, uma vez terminado e composto desses oito fatores, satisfaça certa condição muita definida, ou seja, que o produto seja belo. A música não aparece sozinha. Ela está acompanhada de movimentos e sons, colaborando sobremaneira com o desenvolvimento psicomotor. Para perceber o som, há quatro sistemas muito importantes: sistema auditivo, sistema de percepção interna, sistema tátil, sistema visual. O mundo do não verbal ou sistema unificador está enriquecido por infinitos parâmentros, dos quais conhecemos muito pouco, ou seja: timbre, intensidade, densidade, volume. Todos estes parâmetros estão presentes ao mesmo tempo em determinado momento, mas as suas infinitas variações nas inter-relações fazem com que varie constantemente uma mensagem da outra . Um exemplo disso é o perigo dos aparelhos eletrônicos. O walkman obriga dividir estímulos percebidos do som. Esses aparelhos vão produzindo principalmente aos adolescentes (maioria usuários), uma atrofia do sistema unificador que enriquece a informação. Obriga-os a dividir o próprio corpo; escutam com o ouvido certos estímulos, enquanto que o resto do corpo se mantém inerte ou fazendo outra coisa. A imitação não se limita somente aos sons emitidos pelos meios convencionais de emissão, ou seja, a boca, o nariz, mas também a de outros fenômenos naturais que também são formas de expressão em que suas variações se convertem em mensagens. Por exemplo: o batimento cardíaco, os ruídos intestinais, os atritos, o movimento. Nosso corpo também produz som. Ele tem elementos de expressão, como por exemplo, os dedos, as coxas, os pés, a caixa torácica, cantar, gritar, falar, cantarolar, assobiar, murmurar, suspirar, chiar, deglutir, gargarejar, etc.
03. BENEFÍCIOS DO RELAXAMENTO ATRAVÉS DA MUSICALIZAÇÃO O relaxamento é de suma importância nos dias atuais. O relaxamento é uma terapia universal, e as pessoas que podem aprender a relaxar profundamente, conseguem criar um melhor estado mental. Fernando Bañol, musicoterapeuta espanhol, procurando retirar a conotação terapêutica do uso da música, desenvolveu pesquisas sobre o que denomina de Biomúsica. A Biomúsica, também chamada Musicoterapia da Nova Era, ou sons da saúde, acha-se profundamente relacionada com as ciências do comportamento, posto que freqüentemente se ocupa em ajudar a melhorar o comportamento provocado pelos meios social e interno que pressionam o ser humano. (BANÕL, 1993, p. 9). De acordo com Benenzon (1988), Fregtman (1990), Leinig (1997) e Bañol (1993), os principais benefícios da aplicação da música é visto no relaxamento físico e psíquico que o indivíduo participa, são:
04. MÚSICA E EDUCAÇÃO A música no contexto da educação vem, ao longo de sua história, atendendo a vários objetivos, alguns dos quais alheios às questões próprias da linguagem. Desde os tempos mais remotos são encontradas referências da ligação da música ao tratamento de doenças e deficiências, principalmente mentais, estando comprovados seus efeitos psicológicos e fisiológicos. A influência e o poder que caracterizam a música como coadjuvante do desenvolvimento integral do ser humano aparecerão especialmente destacados no caso dos indivíduos que apresentam deficiências ou problemas físicos, afetivos, mentais ou de integração social. O trabalho com a música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive, como já foi citadas, aquelas que apresentam necessidade especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão, do equilíbrio, da auto-estima e autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social (GOLEMAN, KAUFMAN e RAY, 2001). Tanto o som quanto o ritmo que são elementos básicos da música, podem despertar e refinar a sensibilidade da criança, provocar reações de cordialidade e entusiasmo, prender a atenção, estimular a sua vontade, auxiliando a consolidar a ação educativa. Portanto, as atividades musicais foram propostas de forma a estimular não somente o gosto pela música, como também em desempenho autônomo e criativo por parte da criança (WEIGEL, 1988). A partir de experiências musicais, o pensamento da criança vai se organizando. E quanto mais ela tem oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência, o seu conhecimento vai se desenvolvendo. (WEIGEL, 1988, p.14). A musicalização mobiliza as energias construtivas da psique e por isso contribui de maneira indelével para o desenvolvimento humano. Cada um dos aspectos ou elementos da música corresponde a um aspecto humano específico, ao qual mobiliza com exclusividade ou mais intensamente: ritmo musical induz ao movimento corporal, a melodia estimula a afetividade; a ordem ou a estrutura musical contribui ativamente para a afirmação ou a restauração da ordem mental do homem. A expressão musical da criança deverá ser vivenciada através da voz, do movimento, da prática e da audição, em situações de inventiva e com a utilização do material sonoro. Ao participar de uma bandinha rítmica, a criança passará a identificar diferenças e semelhanças entre os variados tipos de sons e instrumentos exercitando desta maneira o seu raciocínio e sua compreensão, (STRALIOTTO, 2001, p. 29). A música serve como ativador de células do cérebro; a possibilidade de combinação entre todos os componentes de uma música é quase infinita, e dessa maneira de tornam quase infinitas também as possibilidades da música funcionar como desbravador de áreas virgens do cérebro, e que, uma vez desbravadas, essas áreas se tornam células cerebrais úteis para a utilização de outros conhecimentos, de Matemática, Biologia, etc. As experiências que envolvem descobertas de sons no ambiente próximo e distante propiciam o contato da criança como o mundo físico, através do qual ela receberá estímulos que irão favorecer suas possibilidades de percepção tátil, auditiva, visual e olfativa. Tais experiências contribuem para a criança entender seu esquema corporal. Ao mesmo tempo ela estará conhecendo melhor o mundo que o rodeia. (WEIGEL, 1988, p. 24) A música por si só, fará grande parte do trabalho, ou seja, penetra no homem, rompe barreiras, abre canais de expressão e comunicação, induz através de suas próprias estruturas internas, modificações significativas no aparelho mental dos seres humanos. Entenda-se por musicalizar, transformar a criança em indivíduo que usa os sons musicais, consome música, faz e cria música, sente música e finalmente, se expande por meio da música (WEIGEL, 1988).
05. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES Considerando-se o acima exposto, defende-se a musicalização como uma estratégia psicopedagógica cientificamente válida para favorecer o desbrochar das potencialidades e da auto-estima da pessoa portadora de necessidades educativas especiais.
06. REFERÊNCIAS BECKER, Leonita A Importância da musicalização na redução do estresse escolar (Artigo Científico). Indaial: ICPG/UNIASSELVI, 2003. BENENZON, Rolando Teoria da Musicalização: Contribuição ao conhecimento do contexto não-verbal. São Paulo: Summus, 1998. GAINZA, Vileta de Estudos de Psicopedagogia Musical. São Paulo: Summus, 1998. GOLEMAN, Daniel.; KAUFMAN, Paul e RAY, Michael O Espírito Criativo. São Paulo: Cultrix, 2001. KREPSKY, Célia Cecília Sistema Nervoso Central e Musicalização – Alternativas Psicopedagógicas Para a Alfabetização. Blumenau: FURB, Revista Tecno-científica. Vol. 12, no 49, out/dez, 2005. FONSECA, Vitor da Aprender a Aprender – A Educabilidade Cognitiva. Porto Alegre: ARTMED, 1998. LEINIG, Clotilde Espindola Tratado de Musicoterapia. São Paulo: Seta, 1977. SNYDES, Georges A escola pode ensinar as alegrias da música? 2. ed. São Paulo: Cortez, 1994. STRALIOTTO, João Cérebro e Música: Segredos desta relação. Blumenau: Odorizzi, 2001. WEIGEL, Anna Maria Gonçalves Brincando de Música. Porto Alegre: Kuarup, 1988.
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