Revista Recre@rte Nš7 Julio 2007 ISSN: 1699-1834      http://www.iacat.com/Revista/recrearte07.htm

           
EDUCAÇÃO PERSONALIZADA E COMUNITÁRIA
UM EXCELENTE CAMINHO PARA INOVAR A PRÁTICA EDUCATIVA.
Vera María Beurmann

“A pessoa não nasce, faz-se”
Pierre Faure.

O que apresento aqui é o resultado de um sonho, de ver, por escrito, idéias da quais me apropriei após leituras, palestras e prática, sobre o projeto personalista criado pelo padre jesuíta francês, Pierre Faure. Estas idéias mudaram meu modo de pensar educação e responderam às tantas perguntas que eu sempre fiz com relação à formação de alunos.
            Vou iniciar abordando o que penso sobre o contexto da sociedade atual, para em seguida contar um pouco da trajetória deste grande educador que, ao se deparar com o final da guerra na França, embarcou na proposta da reordenação do sistema educacional, acreditando que os paradigmas da escola tradicional, deveriam ser derrubados, para que crianças e jovens pudessem “vir a ser” em uma escola voltada, entre outras coisas, para a construção da autonomia.

CONTEXTO ATUAL

 Creio que muitos educadores, no contexto atual de sociedade, se preocupam ou estão envolvidos, na busca de caminhos que dêem conta do processo educativo dos alunos da escola básica neste novo século.
As discussões e reflexões são permeadas por dúvidas frente a um novo perfil de aluno: Interativo, plugado nas novas tecnologias, usuário de MSN, ORKUT, YOU TUBE enfim, um aluno que não “cabe” mais nas escolas às quais estamos acostumados, ou seja, com horários rígidos, conhecimento desvinculado da realidade, grade curricular engessada, espaços e tempos inadequados. Uma escola que até então cumpriu com as exigências de outrora, mas que está se tornando obsoleta para esta nova geração.
Algumas escolas, com diretores que possuem visão de futuro, já estão tentando modificar seus espaços e tempos, inserindo novas tecnologias, arriscando propostas de currículos mais inovadores. No entanto, são vistas, pela maioria, como alternativas, fadadas ao fracasso porque não atendem as expectativas dos vestibulares nem das famílias, que por medo que seus filhos não sejam “devidamente formados”, não saberão enfrentar a realidade tal como ela se apresenta.
A competitividade do mercado de trabalho, o desemprego, a falta de perspectivas para os jovens, são hoje, os maiores “fantasmas” que assombram as famílias. Sendo assim, quando optam por um perfil de escola para seus filhos, procuram se informar se a escola é “forte”, que na concepção deles ser forte, é a que prioriza mais o conteúdo, realiza mais provas e esgota os alunos com os deveres de casa. Algumas famílias escolhem este modelo porque é o único que conhecem.
Mas, os vestibulares já estão sofrendo alterações. Recentemente, no Brasil, Universidades estão pensando em reforçar o exame do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), criado pelo Ministério de Educação em 1998, que ainda não é aceito por todas as Universidades. No entanto, pensa em:
 “...estruturar uma avaliação ao final da educação básica que sirva como modalidade alternativa ou complementar aos processos de seleção nos diferentes setores do mercado de trabalho.”
Diante disto, as escolas que eram obrigadas a priorizar os vestibulares, terão que modificar seu enfoque. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9.394/96 deu plenos poderes para as escolas modificarem seus currículos, espaços e tempos.
Art.15 “Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público.”
Entretanto, frente às provas de admissão ainda impostas pelas Universidades e a carência de vagas na rede pública, a maioria das escolas não avançou e continuam competindo para ganharem o ranking nos vestibulares.
Tendo em vista estas constatações, os educadores se perguntam como mudar, para que mudar, em que mudar?
Estas são apenas algumas questões que estão sendo levantadas, principalmente, porque os padrões que hoje regem a sociedade se modificaram, não temos mais o certo ou errado delimitados. Estamos vivendo sob a égide do imprevisível, do pode ser que sim, pode ser que não. O novo tempo pede flexibilidade, inovação, criatividade, autonomia...
Por outro lado, os educadores foram formados através de modelos tradicionais, não experimentaram outras formas de aprender. E, ainda hoje, durante sua graduação, os novos alunos, que serão professores, também assimilam os moldes de ontem. Neste vai e vem sucessivo, o que fazer?
Dentre algumas propostas de mudança já pensadas, aqui abordarei uma que não é nova, mas que até hoje merece todo respeito e atenção. Acredito que ela ainda seja um dos caminhos para se alcançar uma educação de qualidade, tanto em excelência humana como acadêmica - a Educação Personalizada e Comunitária.

O QUE É A EDUCAÇÃO PERSONALIZADA E COMUNITÁRIA?
           
É um enfoque pedagógico, uma metodologia que visa formar “pessoas” autônomas, responsáveis, que tenham iniciativa, responsabilidade, compromisso, que alcancem uma vida espiritual plena, enfim, que sejam capazes de interagir no mundo com posturas solidárias e fraternas.
            Dizia Pierre Faure, seu grande idealizador, que o homem não nasce pronto, acabado, mas que precisa, com os outros, aprender a ser, pois tem potencial e, para isto, necessita educar-se, construir a si mesmo.
            Para que estas “pessoas” sejam formadas, a escola precisa de educadores que permitam aos alunos serem criativos, pensantes, agentes na construção do conhecimento. Além disto, os professores precisam saber como seus alunos aprendem, o que deverá ser incluído no currículo, saberem responder para quê este ou aquele conteúdo, quais instrumentos serão necessários para o processo de ensino e aprendizagem. A reflexão e a pesquisa deverão ser companheiras permanentes dos educadores.
            O enfoque personalizador também pressupõe que a escola deva ir além dos conteúdos. Que os alunos, ao deixarem o espaço escolar, possam se sentir felizes por terem passado ali tantos anos de suas vidas. Uma escola que acolhe e admite seus alunos sem provas, pronta para ajudá-los a crescerem com segurança, respeitados em seu ritmo de aprendizagem, onde sejam motivados a se expressarem, é uma escola que deixa marcas profundas na formação de seus alunos e isto os prepara para enfrentarem a vida sem agressividade, sem inseguranças.
           

QUEM FOI PIERRE FAURE?

Nasceu no dia 11 de maio de 1904 e faleceu em 1988.
Quem teve a oportunidade de conhecê-lo, diz que era um entusiasta da educação e lutava por um ensino diferente do tradicional.
Foi secretário para educação jesuítica na França, lecionou durante cinco anos como seminarista, e aos 38 anos, depois de ordenado sacerdote, dirigiu o departamento de pedagogia do Institut Catholique de Paris.
Orientou dezenas de sessões pedagógicas para a capacitação de professores em cerca de quinze paises. Criou também em Paris, um centro de estudos pedagógicos, três escolas normais e uma escola de aplicação.
Colaborou também na fundação da Association Internationale pour la Recherche et L’ Animation Pédagogiques. (AIRAP)
No Brasil, em 1958, orientou “Classe Experimentais” e assessorou colégios que implementaram seu enfoque.

EM QUE MOMENTO PIERRE FAURE CRIA “SEU ENFOQUE”?

A França pós-guerra, assim como outros paises, estava vivendo momentos de reconstrução não apenas das cidades depredadas pela barbárie, mas de homens e mulheres que haviam perdido esperança, cidadania, horizonte. Em meio a tudo isto, a educação buscava outros paradigmas, o país vivia uma reordenação do sistema educacional.
Acompanhando esta fase de reconstrução, surge no cenário educativo este jesuíta francês, Pierre Faure que, entusiasmado pelas novas políticas do estado, começa a investigar novas formas de ensinar e aprender. O momento denunciava o abismo existente entre a escola e a vida, e ele acreditava que os objetivos “...não podem se restringir a meras reformulações de programas de conhecimento a serem transmitidos à criança, mas sim visar aos meios para ajudá-la a atingi-los e assim construir-se a si mesma.” (KLEIN,1998-21)
Faure vive a “revolução pedagógica”, se entusiasma com a Escola Nova que pregava o que ele mesmo acreditava, ou seja, que o ensino tradicional não teria mais espaço neste momento novo; e também é seduzido pelo Plano Dalton, sendo que deste aproveita a programação, modificação do horário escolar, organização das classes por disciplina e não por idade e séries e também o plano de trabalho.
Para formular seu enfoque, busca bases e fundamentação teórica. Como padre jesuíta, se inspira nos documentos eclesiais, na tradição católica, nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio e na Ratio Studiorum, método de ensino criado pelos Jesuítas.
Do filósofo Emmanuel Mounier, que percorreu o personalismo e a dimensão comunitária inerente a toda inspiração “a ser pessoa”, Faure se apropria essencialmente do comunitário e do seu pensar antropológico. Quem é o sujeito humano? Quais suas verdadeiras dimensões?  Faure pensava que uma educação, apenas personalista, poderia conduzir os alunos ao isolamento. A dimensão comunitária é que faria a diferença no processo de ensino-aprendizagem. Pensa ele “...é uma questão de pedagogia cuja regra essencial não pode mais ser o silêncio e as filas, o mutismo no trabalho, a predominância do escrito sobre o oral, das exposições dos professores sobre a dos alunos (...) Se se quer uma educação social, aprendizagens de vida comunitária sob variadas formas, outras técnicas devem ser aplicadas.” (KLEIN 1988)
            Madame Lubienska de Lenval foi outra fonte de inspiração e aprendizagem para Faure. Ela pregava a integração da atividade corporal da criança à educação espiritual através da interiorização.
Além destas bases, vai em busca de autores consagrados que até hoje auxiliam a modificar o olhar dos educadores em direção à construção do conhecimento. Uma destas autoras foi Maria Montessori, educadora que sentiu a necessidade de modificar o ambiente da aprendizagem e criar um material adequado, permitindo à criança agir sozinha. “Ajuda-me a fazer só!”
Em Jean Piaget encontrou quase todas as respostas científicas que buscava para sua proposta pedagógica. Este grande observador do desenvolvimento das crianças, autor da teoria da autogênese, dizia que a atividade mental da criança é que desenvolve suas estruturas e o princípio da autonomia.
Apesar de criticar Freinet, pois este desconsiderava a formação espiritual das crianças, elogiava os instrumentos de trabalho que colocavam a criança em atividade. Faure acreditava que a criança, para aprender a “vir a ser”, necessitava de silêncio interior, domínio do corpo, tão apregoado por Édouard Séguin, material adequado, formação espiritual e vida comunitária. Para isto, priorizou quatro objetivos que para ele eram fundamentais.

  • Situar-se: Para ele, todo o ser humano precisaria dar-se conta do meio ambiente para adquirir elementos para transformá-lo em um mundo melhor. Se perguntar: Onde vivo? Qual a demanda do mundo atual?
  • Definir-se: Ser consciente do que sabe e do que não sabe; saber aplicar, saber por que está neste lugar. O que pode e o que não pode fazer?
  • Estar aberto às mudanças: Crescer com a mente aberta em permanente conversão. Tomar consciência de sua dignidade, ter iniciativa.
  • Ter acesso à autonomia: Se responsabilizar pelas suas atividades, pela sua vida.

Dizia ele:
“Que a pessoa é capaz de construir-se.” “A pessoa não nasce, faz-se” “Para que encher o cérebro com tantos dados”? Pergunta ele: “Não é melhor educá-la”?
Que a escola é um meio para estimular a conscientização progressiva, para desenvolver sua atenção, o sentido da cultura, mas, sobretudo, é uma preparação da criança para: “Quando chegar o dia, entrar na vida em pé de igualdade com os outros, com as aptidões, as concepções e os hábitos requeridos, não apenas pelo estado moral do mundo, mas também por seu estado econômico, social e político.” (FAURE,1993)
           
Contudo, para colocar em marcha os alunos e as alunas rumo a uma educação de qualidade, que poderia colocá-los “em pé de igualdade” no momento em que tivessem que enfrentar a vida, cria, a partir de todas as bases inspiradoras, alguns instrumentos e momentos didáticos que acreditava serem facilitadores do processo de ensino-aprendizagem.
Antes de enumerá-los, vale salientar e explicitar que nesta escola, projetada por Faure, os alunos não eram divididos por séries, mas por disciplinas em salas ambiente. O projeto orientava para escolhas livres. No Plano de trabalho, que será descrito a seguir, os alunos é que programavam seus horários sob a orientação de seus professores. Na sala de matemática, por exemplo, estariam disponíveis conteúdos para várias idades por ordem de dificuldades. Lá os alunos encontrariam a programação da disciplina, o material dos conteúdos dispostos em estantes (guias e fichas) e todo e qualquer acervo que necessitassem, assim como uma mini-biblioteca e o professor de matemática à disposição para orientar, durante o horário escolar integral, àqueles que precisassem de sua orientação.

 

Alguns instrumentos de seu enfoque: (Os grifos, após cada instrumento e momento didáticos são de minha autoria)

A PROGRAMAÇÃO

Faure “copia” do Plano Dalton uma programação que pudesse auxiliar os alunos na hora de acompanhar seus estudos.
Pensava que apenas a listagem dos programas não seria suficiente para que eles avançassem com autonomia. A programação seria uma tradução objetiva dos conteúdos. Caberia aos professores explicitarem o que seria dado durante a semana, mês ou bimestre, para que os alunos pudessem caminhar “sozinhos” mediados pelos professores apenas nos momentos de dúvida ou de partilha de algum conhecimento. Esta programação seria entregue aos alunos anteriormente e, a partir dela, eles poderiam confeccionar seus planos de trabalho.
A programação continua sendo utilizada, até hoje, nas escolas que adotaram o enfoque personalista. Algumas programações já estão sendo construídas com os alunos e ganharam outros formatos.

Plano de trabalho

O Plano de trabalho deveria ser realizado pelos alunos, acompanhados pelos tutores. Este Plano conteria as disciplinas que os alunos já teriam escolhido previamente, as datas das Partilhas, da Tomada de Consciência, etc, assim como os conteúdos que precisariam aprofundar em prazos estabelecidos por eles mesmos.
O Plano de trabalho já foi ampliado e modificado por alguns professores. Nele, os alunos colocam também seus compromissos da semana.

TRABALHO PESSOAL
Inspirado por Montessori, Faure supunha que o aluno necessitaria, para apreender de fato o conhecimento, de momentos de silêncio, de interiorização e, frente ao conhecimento, poderia saborear e internalizar, fazer bom proveito. Para isto, criou o Trabalho Pessoal. Durante o dia, entre outras atividades, encontrava nas salas ambiente um roteiro, uma guia de trabalho para que pudesse levar a frente o processo do aprender a aprender. Além disto, poderia optar por onde gostaria de começar.
O Trabalho Pessoal foi adaptado em escolas que seguem o enfoque. Em algumas, o professor propõe a mesma atividade para todos os alunos, no mesmo horário.
Guias:
As guias eram instrumentos que os professores preparavam para que os alunos pudessem, com autonomia, irem se aprofundando nos novos conhecimentos. Nelas os professores iniciavam um assunto novo ou davam continuidade a um saber já explicitado. Ela indicava os caminhos, propunha bibliografias.
Havia também as guias para aqueles que já haviam alcançado o conhecimento previsto. Elas davam condições para os alunos irem além do que já conheciam e eram chamadas de complementares. Poderiam ainda remeter para alguma partilha em duplas ou em grupos e também para uma ficha.
Em algumas escolas as guias passaram a ser escritas no quadro-de-giz ou ditadas para os alunos. Não é necessário entregá-las por escrito. Na verdade, elas podem até ser substituídas pela orientação dada pelo professor.

FICHAS
As fichas poderiam ser exercícios para reforçar a aprendizagem e/ou aprofundar algum conhecimento. Poderiam ser divididas até em cinco etapas ou mais.
Mais tarde, ao ser implementado o enfoque em algumas escolas do Brasil e América Latina, houve uma crítica às guias e fichas porque os professores esqueceram o “verdadeiro espírito” do enfoque e elas viraram “guiismos e fichismos”. (KLEIN, 1998). Os alunos se depararam com montanhas de papel e os professores se viram obrigados a diminuir o volume de fichas e guias.
Atualmente elas são consideradas desnecessárias.

MOMENTOS DIDÁTICOS

Acolhida

 A Acolhida para Faure, não significava apenas acolher os alunos na porta da sala, era muito mais que isto. Acreditava que os professores teriam que se comprometer com os alunos, amá-los, conhecê-los pelo nome, saber um pouco da vida de cada um, onde moravam, com quem, do que mais gostavam, enfim, se envolverem na medida em que isto contribuísse com a formação integral de cada um. Acolher na escola, era acolher na vida, com a missão de acompanhar passo a passo o processo de desenvolvimento dos alunos.
A acolhida, até hoje, deverá ser realizada desta forma. Na verdade, ela é quem dá o verdadeiro “tom” da sala de aula. O processo de ensino-aprendizagem depende muito da atitude de acolhida com que o professor aguarda seus alunos.

Partilha

A Partilha, na concepção de Faure, poderia ser tanto de sentimento como de conhecimento. Dizia ele que os alunos, no momento em que se dessem conta de que dominavam os conteúdos, gostariam de partilhar com os professores e colegas seu conhecimento, teriam prazer em fazer isto e eles mesmos marcariam uma data no Plano de Trabalho. Além disto, ela poderia substituir as avaliações formais. Porque, dizia ele, ao manifestar o aprendido, precisariam fazer provas?
Também poderia ser utilizada para manifestar sentimentos. Nestes momentos, os alunos partilhavam como estavam se sentindo com relação ao que estavam estudando, assim como poderiam conversar sobre a vida. Tanto a Partilha como a Tomada de consciência eram momentos privilegiados para exercitarem a vida em comunidade.
A Partilha é um outro aspecto importante no processo do aprender a aprender. Quem adquire o conhecimento e se apropria dele, gosta de comunicar aos outros ou deveria ser incentivado a fazê-lo.

Tomada de Consciência

Um outro momento que Faure idealizou foi o da Tomada de Consciência. Ela era utilizada para chamar a atenção dos alunos com dificuldades quanto à normalização, falta de momentos de estudo, assim como para estabelecer regras, discutir problemas que estavam afetando a turma e também se conscientizarem do que estavam aprendendo.
Ela também era marcada no Plano de Trabalho para que os alunos pudessem se preparar. Neste espaço eles tinham a oportunidade de falar e serem ouvidos por seus professores.
A Tomada de Consciência não deve ficar marcada como a hora da reprimenda, de apenas chamar atenção dos alunos. Ela é mais um momento de reflexão, de “perder tempo” com os alunos para verificar como está indo o processo de ensino-aprendizagem. Ela deve ser utilizada , principalmente, após as avaliações. O professor que considera o “erro” como oportunidade de ensinar aos seus alunos, aquilo que não conseguiram aprender, poderá se utilizar deste momento e reverter o processo.
Normalização:
Para Faure, os alunos teriam que ser ensinados por seus professores a encontrarem um eixo na condução de seu próprio corpo dentro da escola, como na vida. Chamava de normalização a condição de o sujeito encontrar uma forma de se mover nos espaços da escola que não atrapalhasse o estudo de seus colegas. A moderação, pensava ele, era uma aprendizagem que a escola deveria proporcionar aos alunos, para que eles encontrassem o equilíbrio necessário para agir em sociedade.
É bonito Pierre Faure ter encontrado, na minha concepção, outra palavra para falar da tão discutida “indisciplina”. Ensinar os alunos a se moverem com naturalidade, dentro do espaço escolar, é dar a eles condições de desenvolverem atitudes rumo à conquista da liberdade. Não é colocando cadeados ou proibindo autoritariamente os alunos de circularem, que os professores estarão ensinando a verdadeira forma de se comportarem.

Reitero, ao final deste texto, que a proposta personalista de Pierre Faure é um caminho possível de ser percorrido, para quem acredita que o aluno deva ser o centro do processo educativo.
Para que este enfoque possa ser implementado hoje, nas escolas, deverá passar por uma reestruturação que se adapte aos novos tempos. Eu, particularmente, não subtrairia nada de sua essência, pois acredito que devemos oportunizar espaços e tempos para o aluno chegar a “vir a ser”. Mas, com relação aos instrumentos, certamente buscaria uma atualização que desse conta do contexto atual.
            Se nós educadores, desejamos formar pessoas competentes, autônomas, criativas, empreendedoras e solidárias, teremos que abrir mão da escola de ontem e começarmos a pensar numa escola de hoje.

BIBLIOGRAFÍA

FAURE,Pierre.Ensino Personalizado e Comunitário,trad.Maurício Ruffier,São Paulo,Loyola,1993.


KLEIN,Luiz Fernando.Educação personalizada - Desafios e Perspectivas.São Paulo,Loyola,1998.

 

 

www.iacat.com

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