Revista Recre@rte Nº5 Junio 2006 ISSN: 1699-1834       http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte05.htm

[1]PRÁTICAS EDUCATIVAS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA FAMÍLIA

 

Mari Saho [2]

Carina Naomi Daiten[3]

Taís Rebouças Garcia

 

 No campo da saúde do nosso país, vêm processando várias mudanças nos padrões de doenças e agravos nas últimas décadas. A expectativa de vida aumentou, diminuiu a incidência por doenças infectoparasitárias e decresceram as taxas de mortalidade infantil e de mortalidade materna. Porém, o quadro das doenças cardiovasculares, das mortes por violência, dos acidentes de trabalho, da distribuição das diferentes modalidades de neoplasias, da incidência da AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida), das endemias, inclusive da fome, dos bolsões de mortalidade infantil e materna continua retratando as desigualdades sociais, as disparidades regionais e a exploração selvagem da natureza e dos trabalhadores. Vale lembrar, ainda, o privilégio que representa o acesso ao saneamento, à infra-estrutura básica, à educação e aos serviços de saúde com qualidade proporcionada à minoria, excluindo, assim, a maioria da população necessitada.

 

De acordo com os dados disponíveis, nas últimas duas décadas, três questões se destacaram no cenário dos problemas de saúde: o crescimento das taxas de mortalidade por violência, a epidemia da AIDS e o envelhecimento da população, concomitante ao  aumento de problemas dos idosos (MINAYO, 1995).

 

As três questões  causam problemas de custos sociais, financeiros, de adequação de serviços e equipamentos e de formação de profissionais. Problemas que requerem a prevenção das pessoas sadias, a convivência solidária com os indivíduos soropositivos, a necessidade de repensar padrões tradicionais de sociabilidade e o investimento em estratégias de caráter social e cultural que privilegiam mudanças no nosso modo de vida.

 

A reforma que vem ocorrendo no sistema de saúde retrata as tentativas de reestruturação e organização dos serviços adequados à necessidade de saúde do país. Indica ainda a necessidade de formação de profissionais capazes de perceber essa mudança e de atuar, adequadamente, nesta realidade.

 

A profissão de enfermagem, como outras profissões da área da saúde, defronta-se com as demandas do novo modelo assistencial antevisto na proposta do Sistema Único de Saúde (SUS), conquista obtida pela mobilização dos setores sociais desde 1987. Busca-se um novo modelo de atenção em saúde, não restrito à abordagem biológica da medicina tradicional, e formas de atuação em saúde que consigam interferir de maneira positiva na dinâmica social das populações. Este processo está conformando uma nova organização tecnológica da prática em saúde e exige do profissional uma formação capaz de enfrentar esta situação.

 

A equipe do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e do Programa de Saúde da Família (PSF) traça uma estratégia de atenção à saúde focada na família e na comunidade, com práticas que apontam para o estabelecimento de novas relações entre os profissionais de saúde envolvidos e os indivíduos, suas famílias e suas comunidades, representando o eixo estruturante do fortalecimento da atenção básica em saúde tomada como a estratégia prioritária da ação do Ministério da Saúde que, segundo os dados fornecidos, existem 3090 municípios com 10473 equipes de Saúde da Família implantadas em todo o território nacional. (SOUZA, 2000; DIVULGAÇÃO, 2000).

 

Os PACS e PSF trazem, em sua concepção básica, uma estratégia de mudança que deve extrapolar o benefício imediato da prestação  de serviços de saúde à população e ir ao encontro da participação da mesma, utilizando práticas que venham a ter um valor educativo, entendido como um compromisso com a transformação da realidade.

 

Constatando que os sistemas de saúde, atualmente, não dispõem de um número satisfatório de profissionais com este novo perfil, os esforços estão sendo despendidos no sentido de articular o ensino e o serviço, estimulando a uma reformulação dos cursos de graduação e pós-graduação, assim como a mudança na abordagem das propostas de curso introdutório e de implementação de projetos de educação permanente, com vistas a dar respostas imediatas às crescentes demandas nos PACS e PSF. (BRASIL, 2000; SANTOS et al, 2000).

 

No momento atual, parece evidente a necessidade de redirecionar a prática de enfermagem condizente com as propostas de reorganização dos serviços de saúde. As ações educativas desenvolvidas pelas enfermeiras nos serviços de saúde merecem uma análise cuidadosa, pois se acredita que estas ações desempenham papel fundamental na proposta de mudanças do modelo assistencial de saúde tão almejadas no setor.

 

Entendendo que a educação desempenha sua função quando está envolvida numa prática de transformação, que traduz uma teoria dialética do conhecimento, ou seja, um processo de criação e recriação da prática, passa a ser de fundamental importância acompanhar os processos educativos, estudando o referencial de abordagem utilizado, conhecimentos, habilidades, atitudes e valores almejados e alcançados através das práticas educativas desenvolvidas pelos enfermeiros que atuam no PACS e PSF.

 

O objeto de estudo foi portanto, as práticas educativas desenvolvidas pelos  enfermeiros nos serviços de saúde, mais especificamente na Atenção à Saúde da Família e teve como objetivo, estudar as práticas educativas desenvolvidas pelos enfermeiros na atenção à saúde da família no Distrito Sanitário de Itapuã, município de Salvador - Bahia.

 

Para alcance do objetivo proposto, foi desenvolvido um estudo quantitativo e exploratório com amostra de 67 ACS e quatro enfermeiras que atuavam no PACS do Distrito Sanitário de Itapuã. A entrevista foi desenvolvida, seguindo roteiro previamente elaborado, sendo diferente para cada categoria profissional. A análise dos dados evidenciou o predomínio da abordagem de transmissão de conhecimento  na fala dos ACS ao desenvolver atividades educativas, utilizando métodos passivos como palestras e orientações verbais. Apesar de priorizarem a promoção de saúde e prevenção de doenças e os temas compatíveis com o perfil epidemiológico do local, restringiam-se ao aspecto biológico do problema e muito pouco se relacionavam com os determinantes e condicionantes sociais do seu aparecimento na comunidade. Diante do exposto, considera-se necessário repensar as práticas educativas desenvolvidas pelos profissionais que atuam no PACS e incentivar a utilização de abordagem que priorize a participação ativa da comunidade na busca de soluções que não sejam apenas individuais, mas principalmente, coletivas, assim como inserção das atividades educativas nas outras ações de saúde desenvolvidas na comunidade.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Educação permanente. Brasília: Ministério da Saúde, 2000.

 

DIVULGAÇÃO em Saúde para Debate. Rio de Janeiro: CEBES, n.21, 2000

MINAYO, Ma. Cecília de Souza. Os muitos Brasis. Saúde e população na década de 80. São Paulo- Rio de Janeiro: HUCITEC-ABRASCO, 1995.

 

SANTOS, Beatriz R. L. et al. Formando o enfermeiro para o cuidado à saúde da família: um olhar sobre o ensino de graduação. R. Brasileira de Enfermagem. Brasília, v.53,.p.49-59, dez. 2000. Número especial.

 

SOUZA, Heloiza Machado. M. Programa Saúde da Família: entrevista. R. Brasileira de Enfermagem. v. 53,  49-59, dez. 2000. Entrevista com a diretora do Departamento de Atenção Básica – SPS/MS. Número especial.

 

[1] Pesquisa financiada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC

[2] Docente do Curso de Enfermagem da FTC: e-mail: msaho.ssa@ftc.br

[3] Estudantes do Curso de Enfermagem - FTC

 

3º ciclo de formación en Creatividad acorde con la C.U.E.

               > Programa profesional (abierto a todos)
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Julio 2005. INTENSIVO.    www.micat.net