Revista Recre@rte Nº5 Junio 2006 ISSN: 1699-1834       http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte05.htm

PERFIL DO EMPREENDEDOR DE SUCESSO

Cláudia Maria da Silva Madruga

 

 

RESUMO

A pesquisa desenvolveu-se a partir da utilização da contribuição de diversos autores sobre o Empreendedorismo com enfoque no perfil do empreendedor de sucesso. Têm-se como objetivo identificar as características mais comuns no empreendedor de sucesso. Para a elaboração do trabalho, procurou-se conhecer a história do Empreendedorismo, seu surgimento no mundo e no Brasil, e sua importância no desenvolvimento econômico e social de um país.  O ritmo intenso de mudanças hoje no mercado de trabalho exige do indivíduo atitudes e comportamentos necessários para direcionar sua vida profissional. O caminho para empreender é complexo e mesmo assim, está sendo uma das alternativas para realização profissional. Existem pontos em comuns no que se diz respeito às características encontradas nos empreendedores de sucesso. Essas características têm contribuído para a identificação e compreensão de comportamentos. Um conjunto de condições presentes no indivíduo contribui para o sucesso como empreendedor, suas características; é ainda alvo de pesquisas e questionamentos. 

Palavras chave: empreendedorismo; empreendedor; perfil do empreendedor.

 

INTRODUÇÃO

O período de desenvolvimento econômico de um país, ou região pode ser avaliado pelo número de atividades na área de inovação e criação de empresas, particularmente, de base tecnológica.

Ao longo da história do Homem houve períodos de grandes progressos e mudanças.  Porém, o século XX passou por radicais transformações sociais e econômicas.

Na linha desta revolução econômica-industrial, as estruturas de produção, distribuição e concorrência, criaram um novo ambiente competitivo, com maiores exigências em velocidade, tecnologia e flexibilidade.

O investimento em recursos humanos é fundamental para atravessar a competitividade dos mercados. É fator limitante ao sucesso de qualquer empreendimento uma gestão voltada a desenvolver pessoas com altas expectativas de desempenho e desafios profissionais. Os que investem em pessoas são os que melhor enfrentam as mudanças.

A velocidade das transformações por que passa o mercado consumidor, concorrente e fornecedor é alta. O empreendedor tem que antecipar às mudanças, criar produtos diferenciados, cujo valor o cliente percebe e está disposto a pagar para comprar. É preciso saber conduzir os negócios em perfeita sintonia com as tendências do mercado.

A globalização contribui para que as tecnologias avancem em vários territórios e o mundo recebe um fluxo grande de informações. Cabe ao criador de empresas transformar essas informações em produção. O desenvolvimento das nações hoje é justificado através do resultado de duas variáveis: a tecnologia e o empreendedorismo.

Ainda que seja difícil definir o conceito de empreendedorismo, os economistas reconhecem os empreendedores como indivíduos criativos e pesquisadores, que estão em constante busca por novos caminhos e novas soluções, sempre amparadas na identificação das necessidades das pessoas, gerando riquezas e empregos, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social.

O empreendedorismo é, portanto, um dos elementos centrais do processo de geração de riquezas através da inovação. Tem se tornado um termo muito popular no Brasil pela preocupação por parte do governo e de entidades de classe com a criação de pequenas empresas duradouras e a necessidade de diminuir as altas taxas de mortalidades desses empreendimentos. A urgência do empreendedorismo no Brasil também decorre da abertura do mercado nacional para o mundo globalizado, fazendo com que as empresas procurem alternativas para aumentar a competitividade, reduzir os custos e manter-se no mercado.

 O que deu origem a este estudo foi que muitos brasileiros têm buscado no empreendedorismo o caminho para o sucesso. Infelizmente, nem todos têm conseguido atingir o que almejam no campo empresarial. No Brasil, ser bem sucedido como empreendedor não é tarefa fácil, mas aqueles que conseguem tornam-se referência pela ousadia, criatividade, inovação e persistência, que geralmente acompanham estes indivíduos diferenciados. A formação técnica e o conhecimento de administração são fatores necessários para desencadear a abertura de um negócio e levar um empreendedor ao sucesso. Pesquisas realizadas em todo o mundo tem mostrado que as características do empreendedor são indispensáveis para integrá-lo ao seleto clube dos empreendedores bem-sucedidos.

Na primeira parte da monografia apresenta a descrição do tema gerador deste estudo, o empreendedorismo, no que se refere a sua delimitação que é as características indispensáveis no empreendedor de sucesso. Logo, encontramos a trajetória da pesquisa, expressa através da metodologia adotada.

Na segunda parte, abordaremos a fundamentação teórica ilustrando conceitos pertinentes ao assunto, como surgimento do empreendedorismo no mundo, e a atenção que muitos países, inclusive no Brasil, tem dado ao tema. Em seguida apresenta-se as diferentes abordagens no que se refere ao que é ser empreendedor, as diferenças entre empreendedor e administrador, o processo empreendedor e suas etapas, o processo criativo de identificação de uma oportunidade e, entidades que se dedicam à assessoria, desenvolvimento do empreendedor, e a difusão da cultura empreendedora no país.

Em considerações finais, uma breve reflexão do perfil do empreendedor de sucesso e perspectivas de desenvolvimento do empreendedorismo no cenário brasileiro.

E, por final, refere-se às fontes bibliográficas referenciadas e consultadas.

Pretende-se com esta pesquisa enriquecer àqueles que desejam seguir a trajetória de ser um empreendedor e conhecer suas potencialidades, assim como, suas limitações e buscar informações para melhorar e aperfeiçoar o seu desempenho. O aperfeiçoamento humano e a busca de melhoria contínua são preocupações, constantes na vida de quem quer ser bem sucedido.

      

1 EMPREENDEDORISMO

O termo moderno para empreendedorismo é apenas força de expressão, se dermos um passeio na história da humanidade, vamos constatar que sempre existiram empreendedores, aqueles que tiveram uma visão e fizeram acontecer.

Segundo Fernando Dolabela (1999), Empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução de entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação.” E complementa que “ O empreendedor é antes de tudo aquele que se dedica à geração de riquezas em diferentes níveis de conhecimento, inovando e transformando conhecimento em produtos ou serviços em diferentes áreas.”

Empreender tem a ver com fazer diferente, antecipar-se aos fatos, implementar idéias, buscar oportunidades, criar valores, gerar empregos e colaborar para o desenvolvimento do país.

Para Dornelas (2005), Emprendedorismo é o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto; levam à transformação de idéias em oportunidades. E a perfeita implementação destas oportunidades leva à criação de negócios de sucesso”.

Empreendedores são pessoas que querem controlar seu próprio destino, que acreditam em sua visão, que são a essência da inovação no mundo e que tornam obsoletas as antigas maneiras de fazerem negócio.

Para Dornelas (2005), explicita que:

O mundo tem passado por várias transformações em curtos períodos de tempo, principalmente, no século XX, quando foi criada a maioria das invenções que revolucionaram o estilo de vida das pessoas. Geralmente, essas invenções são frutos de inovação, de algo inédito ou de uma nova visão de como utilizar coisas já existentes, mas que ninguém antes ousou olhar de outra maneira.(DORNELAS, 2005, p. 36).

 

Por trás dessas invenções, existem pessoas ou equipes de pessoas com características especiais que são visionárias, questionam, arriscam, querem algo diferente, fazem acontecer e empreendem. Os empreendedores são pessoas diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonadas pelo que fazem, não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado. Uma vez que os empreendedores estão revolucionando o mundo, seu comportamento e o próprio processo empreendedor devem ser estudados e entendidos.

 

1.1 SURGIMENTO DO EMPREENDEDORISMO NO MUNDO

Desde o início de sua história o homem tem fascínio pelo poder. Para sobreviver enfrentou todos os tipos de perigos e precisou utilizar seu raciocínio para se alimentar, se abrigar, se adaptar ao meio em que vivia.

Em sua comunidade sempre havia aquele que se dedicava e se preocupava com as necessidades de sobrevivência do grupo e exercia um certo controle sobre ele.  Esse controle era exercido por alguém que tinha a capacidade de prever os acontecimentos e orientar os demais sobre os perigos que podiam acontecer.

O homem através de suas realizações demonstra ser um ser criativo, capaz de passar para o plano real tudo que está presente em sua mente, e graças a essa criatividade o mundo recebe evoluções em todos os campos sociais, pessoais, financeiros, tecnológicos e empresariais.

Desde as antigas relações comerciais estabelecidas sempre houve aqueles que assumem riscos sejam eles físicos, emocionais ou econômicos.

Richard Cantillon importante escritor e economista do século XVII é considerado por muitos um dos criadores do termo empreendedorismo, que se referia a pessoas que compravam matérias-primas (geralmente um produto agrícola) e as vendiam a terceiros, depois de processá-las – identificando, portanto uma oportunidade de negócios e assumindo riscos. Jean Batiste Say foi mais além e considerou o desenvolvimento econômico como resultado da criação de novos empreendimentos, mas foi Schumpeter quem deu projeção ao tema, associando definitivamente o empreendedor ao conceito de inovação e apontando como o elemento que dispara e explica o desenvolvimento econômico.

No mundo inteiro, as pequenas e médias empresas estão cada vez mais ganhando importância no cenário econômico, sendo centro das políticas públicas na maioria dos países.

Ações desenvolvidas para o fortalecimento do crescimento do empreendedorismo tem tido destaque em países como reino Unido, Alemanha, Finlândia, Israel e França.  O interesse pelo empreendedorismo se estende além das iniciativas dos governos nacionais, atraindo a atenção de muitas organizações multinacionais. A Organization for Economic Co-operation and Development (OECD) em 1998 publicou o informe “Fostening the Entrepreneurship: A Thematic Review” com objetivo de compreender o estágio de desenvolvimento do empreendedorismo nos países da OECD e identificar políticas para intensificar o seu crescimento. A Comissão Européia em 1998 apresentou propostas para disseminar o empreendedorismo na comunidade e iniciativas para simplificar a abertura de novos negócios.  O Fórum Econômico Mundial tem abordado em conferências o tema empreendedorismo como sendo de interesse mundial.

Os Estados Unidos é o país de maior exemplo de compromisso nacional com empreendedorismo. Há centenas de iniciativas dos governos locais e de organizações privadas que encorajam e apóiam a atividade empresarial, servindo de modelos para outros países que visam a incentivar a criação de novas empresas.  O empreendedorismo nos Estados unidos tem sido o combustível para o crescimento econômico, criando emprego e prosperidade.  Em 1998, um grupo de pesquisadores em conjunto com Babson Collage e London Business School, da Inglaterra, organizaram o projeto GEM – Global Entrepreneurship Monitor, com o objetivo de se medir a atividade empreendedora dos países e se observar seu relacionamento com o crescimento econômico.  Esta iniciativa pioneira tem trazido informações a cada ano sobre o empreendedorismo mundial.  Um dos estudos referem-se ao índice de criação de novos negócios denominado de Atividade Empreendedora Total.  Este índice mede a dinâmica empreendedora dos países e acaba por definir um ranking mundial de empreendedorismo.

Segundo Dornelas (2005), nos ensina que:

O momento atual pode ser chamado de a era do empreendedorismo, pois são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riquezas para a sociedade. (DORNELAS, 2005, p.22)

 

O empreendedorismo no campo acadêmico é muito novo, e demorará muito tempo ainda para atingir uma base científica, apesar de muitas pesquisas e publicações a respeito. Está atravessando um crescimento inesperado em todas as suas dimensões. Fala-se em revolução silenciosa, que será para o século XXI mais do que a revolução industrial foi para o século XX. O empreendedorismo vai além de uma solução para o problema de desemprego hoje em alguns países, leva o empreendedor a desenvolver suas habilidades e o coloca em melhores condições para enfrentar um mundo em constante mudança e oferece vantagens para aqueles que preferem disputar a corrida do emprego.

Drucker (1987), explica o desenvolvimento da economia empreendedora nos Estados Unidos mencionando que desde meados dos anos 70, fatos ocorreram na sua economia que fizeram com que houvesse um redirecionamento profundo da economia, de “gerencial” para “empreendedora”. Criaram-se tantos empregos novos, mesmo sendo o cenário de início de extrema turbulência com a “crise do petróleo”, do quase colapso das indústrias de “chaminés”, e de duas sérias recessões. O desenvolvimento americano era único. Na Europa Ocidental perdiam-se empregos e até mesmo o Japão seu crescimento de empregos era menor. As mulheres começaram a afluir decididamente para o mercado de trabalho. A criação de empregos e o seu crescimento nos Estados Unidos ocorreram em um novo setor. As grandes Instituições, as grandes empresas, governos federais, estaduais e municipais, as grandes universidades e hospitais estavam perdendo vagas. Assim todos esses empregos só poderiam ter sido criados pelas instituições pequenas e médias. Não há dúvida de que a alta tecnologia seja sob forma de computadores ou telecomunicações, robôs nas fábricas ou automatização de escritórios, biogenética ou bioengenharia, é de incomensurável importância qualitativa, porém quantitativamente a alta tecnologia ainda era limitada, respondendo por não muito mais que os novos empregos. Surge a economia nova, que é empreendedora. Os empregos surgiram não somente de uma fonte, mas de outros setores como cadeias de restaurantes, confecções de roupas femininas, serviços de assistência à saúde e empresas de alta tecnologia. Uma coisa em comum nesses empreendimentos de crescimento é que todos constituem novas aplicações de conhecimento ao trabalho humano, o que é, em última análise, a definição de Tecnologia. Somente que a “tecnologia” não é a eletrônica, ou a genética, ou novos materiais. A nova “tecnologia” é a administração empreendedora.

Para Drucker (1987), com certeza, o surgimento da economia empreendedora é um evento tanto cultural e psicológico, quanto econômico ou tecnológico. Contudo, sejam quais tinham sido as causas os efeitos estão acima de todos os de ordem econômica. E o veículo dessa profunda mudança em atitudes, valores e, acima de tudo, em comportamento é uma“tecnologia”. Ela se chama “Administração.

 

1.2 O SURGIMENTO DO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

Pode-se dizer que o empreendedorismo no Brasil está apenas começando, ainda não há uma clara percepção da sua importância para o desenvolvimento da economia em nosso país, embora muitas experiências, têm demonstrado que pessoas estimuladas podem desenvolver mentalidade e habilidades empreendedoras, tornando-se capaz de criar empresas e gerar novos empregos.

Os ambientes políticos e econômicos do Brasil não eram propícios para a criação de pequenas empresas, somente em 1990 com a criação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Associação para promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) que o empreendedorismo neste país começou a tomar forma.

Algumas ações históricas recentemente desenvolvidas colaboraram para a disseminação do empreendedorismo no Brasil:

1- A Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX) é uma entidade gestora do Programa Softex, instrumento de apoio à produção e comércio de software brasileiro. Foi criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em 1993 como Programa Softex 2000 e reformulada de acordo com a nova política brasileira de software. A SOFTEX trabalha para incentivar a criação de uma cultura empreendedora no setor de software no Brasil. Contribui para a capacitação das empresas, no desenvolvimento tecnológico, na gestão empresarial, inovação de processos e produtos e sua adequação ao mercado. A Entidade promove a excelência da tecnologia nacional visando a demanda local e, conseqüentemente, atingir o mercado global.

2- Tendo em vista a sustentabilidade dos micros, pequenos e médios empreendimentos e a diminuição do alto índice de mortalidade desse segmento empresarial, foi lançado em 5 de outubro de 1999, pelo Governo Federal, o Programa Brasil Empreendedor que com a combinação dos fatores que determinam os eixos do programa: capacitação, crédito e assessoria empresarial nas áreas de gestão, finanças e legislação, buscam o surgimento e fortalecimento de novos negócios.

3- O Programa Jovem Empreendedor começou em 2004 pelo Ministério do Trabalho e Emprego, e tem como objetivo capacitar jovens na faixa etária de 16 a 24 anos a desenvolver atividades empreendedoras. Este projeto tem a parceria do Sebrae para acompanhamento técnico durante os três primeiros anos e recebem financiamento de bancos oficiais para o empreendimento.

4- A febre das empresas pontocom ajudou a disseminar o empreendedorismo nos anos de 1999 e 2000.

5- As primeiras incubadoras de empresas surgiram no Brasil na década de 80. Basicamente o objetivo de uma incubadora é reduzir a taxa de mortalidade das empresas. Para isso, as incubadoras oferecem um ambiente flexível e encorajador onde é oferecido uma série de facilidades para o início de um negócio, a um custo bem menor do que no mercado.

Ocorre no Brasil, assim como em países em desenvolvimento, um alto índice de empreendedorismo de necessidade, ou seja, o indivíduo por estar desempregado e por falta de opção se aventura na jornada empreendedora. Esses negócios são criados informalmente, sem planejamento e sem aplicação de técnicas gerenciais, ocasionando seu fracasso e elevando o índice de mortalidade dos negócios. Esse tipo de empreendedorismo não gera desenvolvimento econômico.

Programas de governo e parcerias com entidades privadas promovem ações que propiciam ao pequeno empreendedor suporte para a abertura de sua empresa, assim como, consultorias básicas e pontuais.  Essas assessorias ajudam o empreendedor na fase mais difícil do empreendimento: a da sobrevivência, colaborando com a diminuição da mortalidade do negócio e incentivando o empreendedorismo de oportunidade, aquele em que o empreendedor cria uma empresa com planejamento prévio, focando uma oportunidade, gerando lucros, empregos e riquezas, contribuindo para o crescimento econômico.

As condições para empreender no Brasil, estão longe de ser as ideais, limitações referentes a: apoio financeiro, onde o crédito ao pequeno empreendedor tem dificuldades de acesso, além do alto custo do dinheiro; políticas governamentais com altas cargas tributária e trabalhista, além da burocracia para a abertura do negócio, e, a educação onde o sistema de ensino brasileiro não prepara o indivíduo para a carreira empreendedora, impedem a otimização do empreendedorismo no país.

Segundo Dolabela (1999), a atual realidade no mundo do trabalho, a redução da oferta de emprego, salários baixos e instabilidade, vêm fazendo com que jovens não vejam mais empregos no governo, grandes empresas, como sendo um projeto de vida, porém ao mesmo tempo eles não sabem o que podem, porque não estão preparados para inserir profissionalmente como empreendedores.” Nossa cultura e nosso sistema de ensino não forma pessoas para encontrar formas novas para a sua aplicação, com capacidade de ler o mercado e dar-lhe significado que permita inserção profissional.

No Brasil, a falta de uma ideologia do trabalho como valor positivo e como mecanismo efetivo de ascensão social faz com que se duvide da capacidade do indivíduo de moldar a realidade de acordo com a sua visão do mundo, por sua determinação e esforço.

Não obstante as grandes dificuldades enfrentadas pelas empresas emergentes no Brasil, algumas medidas em conjunto com a iniciativa privada e o governo podem dar perspectivas otimistas para a criação de uma cultura empreendedora que dará suporte ao processo de desenvolvimento econômico e mudará os valores de nossa sociedade como:

- Disseminar a cultura empreendedora no sistema educacional;

- Estimular a pesquisa na área do empreendedorismo;

- Sensibilizar a sociedade para necessidade de apoio às empresas emergentes;

- Implantar políticas públicas e legislação de apoio;

- Estimular o empreendedor científico;

- Estimular a criação de incubadoras e parques tecnológicos e científicos;

- Preparar as empresas existentes para a formulação estruturada de suas demandas aos centros de alta tecnologia;

- Preparar a inserção da pequena empresa no mercado mundial;

- Formação de um sistema brasileiro de capital de risco.

 

Em resumo o pré-requisito para a atividade empreendedora em um país é a estrutura de um conjunto de valores sociais e culturais que possam encorajar a criação de novas empresas, promovendo assim, o crescimento econômico.

 

1.3 SER EMPREENDEDOR

Encontramos na literatura várias circunstâncias que deram origem a um empreendimento e ao surgimento do empreendedor, que podem ou não se relacionar aos traços de personalidade como: o empreendedor nato (aquele que por motivos próprios ou influências familiares demonstra desde cedo sua vocação), o herdeiro (aquele que dá continuidade ao empreendimento, é treinado, podendo ou não possuir características de empreendedor), o funcionário de empresa (frustrado em suas necessidades de realização pessoal, decide em algum momento ser dono de seu próprio negócio), excelentes técnicos (possuem características de empreendedor e aplica seu Know-how em algum produto ou serviço iniciando sua empresa), vendedores (possuem a dinâmica de suas funções, conhecem o mercado e investem em seu empreendimento próprio), opção de desemprego (modalidade normalmente arriscada e com grandes chances de fracassar, pois dificilmente se tem características empreendedoras), desenvolvimento paralelo (funcionário que). se associa com outras pessoas como sócio-capitalista para se ter uma alternativa futura) e aposentadoria (com experiência adquirida, inicia-se seu próprio negócio).

Há muitos fatores que inibem o surgimento de novos empreendedores. A imagem social que um emprego de estabilidade em uma boa empresa trocada pela realidade que todo empreendedor de sucesso precisa estar disposto a, no início, desenvolver ele próprio às atividades na sua empresa, faz com que muitos profissionais não optem pela carreira de empreendedor. Outro fator é a disposição para assumir riscos, ou melhor, ter capacidade de conviver com eles e sobreviver a eles. Os riscos fazem parte de qualquer atividade, e é preciso aprender a administrá-los e superá-los. Os valores e idéias que herdamos de nossos pais, professores, amigos e outros que influenciaram na nossa formação intelectual, o que chamamos de Capital Social, influenciam no interesse pela carreira de empreendedor.

Segundo Dornelas (2005), é interessante destacar alguns mitos sobre os empreendedores:

Mito1: Empreendedores são natos, nascem para o sucesso

Até alguns anos atrás, acreditava-se que o empreendedor era nato, que nascia com um diferencial e era predestinado ao sucesso nos negócios. Pessoas sem essas características eram desencorajadas a empreender. Hoje em dia, acredita-se que o processo empreendedor pode ser ensinado e entendido por qualquer pessoa e que o sucesso é decorrente de uma gama de fatores internos e externos ao negócio, do perfil do empreendedor e de como ele administra as diversidades que encontra no dia-a-dia de seu empreendimento.

 

Os empreendedores natos continuam existindo, e continuam sendo referência de sucesso, mas muitos podem ser capacitados para a criação de empresas duradouras. Isso não garante que apenas pelo ensino do empreendedorismo serão gerados novos mitos. No entanto, com certeza o ensino de empreendedorismo ajudará na formação de melhores empresários, melhores empresas e na maior geração de riqueza ao país.

 

Mito 2: Empreendedores são “jogadores” que assumem riscos altíssimos

Assumir riscos, talvez seja a característica mais conhecida dos empreendedores, mas na realidade o empreendedor é aquele que toma riscos calculados, evita riscos desnecessários e avalia sempre as reais chances de sucesso.

 

Mito 3: Os empreendedores são “lobos solitários” e não conseguem trabalhar em equipe (grifo nosso)

Os empreendedores têm um senso de liderança incomum, sabem criar times e formar equipes de profissionais competentes e envolvidos para obter êxito e sucesso.

O termo empreendedor pode ser analisado sob várias abordagens:

 

ABORDAGEM DA GESTÃO

Segundo Drucker (1987), “entrepreneurship” apresenta problema de definição, tanto no próprio francês, origem do primeiro, como em inglês e alemão, e certamente em outras línguas – e por que não em português? Foi preferido, de modo geral, o termo empreendimento como sua tradução cabendo destacar que será considerado tanto: a) a prática de empreender (o ato, a ação árdua, criativa, difícil e arrojada), como b) o resultado (efeito) dessa prática (a empresa, o cometimento, o negócio), conforme constam de dicionários tais como Aurélio, Caldas Aulete, Melhoramentos, e outros.

Drucker (1987), deixa claro que “entrepreneurship” não é arte nem ciência, mas sim, uma prática e uma disciplina. Ele argumenta que os empreendedores são maravilhosos criadores de empregos, porém, simultaneamente são pessoas que criam novos tipos de procura e aplicam novos conceitos administrativos, portanto, o termo empreendedor não pode ser aplicado a todo e qualquer indivíduo que inicie um pequeno negócio.

Drucker (1987), ainda menciona que a nova fonte de riqueza destes novos tempos está no conhecimento e na sua capacidade de aplicação. É o conhecimento que pode ser utilizado pelas empresas como fator de diferenciação, sobretudo nas de base tecnológica. A competição se faz hoje através de um bom desenho estratégico do negócio e da produtividade dos trabalhadores do conhecimento.

 

ABORDAGEM PSICOLÓGICA

David Mac Clelland (1961), psicólogo, que através de técnicas se dedica ao estudo do comportamento dos empreendedores, definiu os empreendedores como pessoas voltadas para a auto-realização. A necessidade de realização faz com que o indivíduo execute da melhor forma um conjunto de tarefas, que lhe permitem atingir os seus objetivos Esta necessidade de realização varia de cultura para cultura. Mac Clelland analisou também a importância das necessidades de afiliação, ou seja, um bom relacionamento interpessoal proporciona interação, cooperação, que aliados à necessidade de realização faz com que o empreendedor alcance seus objetivos.

Vários pesquisadores consideram esta teoria inadequada, alegando que a necessidade de auto-realização não pode ser tomada como definidora da motivação para empreender, pois é definida por valores mutáveis, existentes em uma dada sociedade e em um dado momento. O perfil do empreendedor será diferente em função de inúmeras variáveis decorrentes na sua formação (experiência de trabalho, a região de origem, o nível de educação, a religião, a cultura familiar).

Durante 20 anos, até a década de 1980, os comportamentalistas dominaram o campo do empreendedorismo, mas os resultados obtidos dos estudos são diferenciados e às vezes contraditórios. 

 

ABORDAGEM SOCIOLÓGICA

Domenico De Masi (1999), é um sociólogo, italiano que procura explorar as ciências organizacionais e através de estudos analisou a maturação da era pós-industrial na Europa, enquanto nos Estados Unidos no cenário da era industrial a sociedade tinha como modelo a produção em série, a sincronização de movimentos, a hierarquização e compartimentalização de funções. Ele examinou, reconstituiu exemplos de homens de diversas áreas que por possuírem suas características organizativas desenvolveram experiências extraordinárias de idealização coletiva.

A análise destes grupos históricos ressalta a personalidade dos criativos individuais:

 

   forte motivação com a atividade idealizadora e realizadora;

   grande carisma

   habilidades intelectuais;

   envolvimento emotivo;

   espírito de iniciativa;

   dedicação total;

   flexibilidade;

   multiplicidade de interesses;

   disponibilidade para o risco;

   culto pela estética, pelos valores e pela dignidade;

   a arte e a ciência estão acima de qualquer atividade humana.

 

Segundo Domenico De Masi (1999), vivemos na era da inteligência, o mundo precisa de pessoas criativas. Indivíduos criativos vêm oportunidade e transforma vínculos em oportunidades. É difícil encontrar gênios, aquele que possui a capacidade de fantasiar e concretizar. Podemos desenvolver a capacidade criativa coletiva gerada por grupos em que uns tem mais fantasia e outros maior capacidade de realização, por isso, para se tornar um grupo criativo este deve ter diversidades de estilos e aptidões, ter espírito de luta e desafio.

O empreendedorismo é resultado de um processo de desenvolvimento econômico, social e cultural, no qual a visão de um indivíduo isolado que desempenha ações empreendedoras seja substituída pela realidade da cooperação de equipes, de pessoas empreendedoras, econômica, social e culturalmente determinadas.

Abordagem Econômica (grifo nosso)

A definição segundo o economista austro-americano Joseph Schumpeter (1949), da Teoria do Desenvolvimento Econômico, resiste ao tempo e considera que O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”.

De acordo com Schumpeter (1949), o empreendedor é mais conhecido como aquele que cria novos negócios, mas pode também inovar dentro de negócios já existentes. Ainda insere o empreendedorismo na ótica da destruição criadora. Ele designa inovações no que se refere à introdução de um novo produto ou de uma nova qualidade de um produto, com a implantação de um novo método de produção, a abertura de um novo mercado, estabelecendo uma nova forma de organização de uma empresa ou setor. Novas empresas prosperam e ajudam a economia em parte destruindo os mercados de concorrentes estabelecidos. Ele chama ato empreendedor à introdução de uma inovação no sistema econômico e empreendedor ao que executa este ato.

Segundo Ronald Degen (1989), o empreendedor tem grande importância na formação da riqueza de um país. Para ele o melhor recurso de que dispomos para solucionar os graves problemas sócio-econômicos pelos quais o Brasil passa é a liberação da criatividade dos empreendedores, através da livre iniciativa, para produzir bens e serviços necessários ao bem-estar da população.

O empreendedor tem que se sentir preparado para iniciar um negócio próprio. A avaliação mais objetiva deste preparo é a percepção que se tem dele próprio, que se reflete na sua autoconfiança.

Para Degen (1989), diz que:

O preparo de um indivíduo para iniciar um negócio próprio cresce com seu domínio sobre as tarefas necessárias para o seu desenvolvimento, com o aumento de sua capacidade gerencial e com o crescimento de sua visão empreendedora refletida no seu domínio sobre a complexidade do negócio.(DEGEN, 1989, p.13).

 

Segundo Dolabela (1999), as pequenas e médias empresas são responsáveis pelas taxas crescentes de emprego, de inovação tecnológica, de participação no PIB- Produto Interno Bruto, de exportação. O eixo está deslocado para os pequenos negócios, as sociedades se vêem induzidas a formar empregadores, pessoas com uma nova atitude diante do trabalho e com uma nova visão do mundo.

A pesquisa acadêmica sobre empreendedorismo é relativamente recente um dos campos centrais desta pesquisa consiste no estudo do ser humano e dos comportamentos que podem conduzir ao sucesso.

Segundo Dolabela (1999), nos ensina que:

Não se pode estabelecer relações de causa e efeito, ou seja, determinar com certeza se uma pessoa vai ou não ser bem-sucedida como empreendedora, mesmo que tenha características encontradas nos empreendedores de sucesso. Por outro lado, sem tais características, sabe-se que a pessoa dificilmente poderá alcançar êxito. Porém, o conhecimento sobre o tema já nos permite ajudar os empreendedores em potencial e os empreendedores de fato a identificar os elementos que devem ser aperfeiçoados para aumentar as suas chances de sucesso. (DOLABELA, 1999, p.68).

 

O domínio das ferramentas gerenciais é visto como uma conseqüência do processo de aprendizado de alguém capaz definir e criar contextos. O indivíduo portador das condições para empreender saberá aprender o que for necessário para criar, desenvolver e realizar sua visão.

Dornelas (2005), define em seus relatos que o empreendedor de sucesso é mais do que visão de futuro e talento individual; os elementos essenciais aos empreendimentos de sucesso são: análise, planejamento estratégico-operacional e capacidade de implementação. Ele aborda as duas facetas de um empreendedor: características e motivações pessoais e questões práticas gerenciais. Menciona ainda que “O sucesso é decorrente de uma gama de fatores internos e externos ao negócio, do perfil do empreendedor e de como ele administra as diversidades que encontra no dia-a-dia de seu empreendimento.

Drucker (1987), demonstra, que a criatividade e planejamento são conceitos que parecem contrários ao senso comum, a inovação também exige uma disciplina sistemática.

Embora hoje se discuta muito a “personalidade empreendedora”, poucos dos empresários com quem trabalhei nos últimos anos tinham tal personalidade. Os bem-sucedidos que conheci têm em comum, não um certo tipo de personalidade, mas um compromisso com a prática sistemática da inovação.

Nesta mesma linha de pensamento Degen (1989), diz que “o sucesso do empreendedor não depende do fator “sorte’, mas sim da aplicação sistemática de técnicas gerenciais sintonizadas para o desenvolvimento de novos empreendimentos.”

O empreendedorismo após a década de 1980 expandiu consideravelmente e passou a interessar as várias ciências humanas e gerenciais.

Por refletir lógicas e culturas diferentes e, por isso mesmo, muitas vezes divergentes Filion sugere que o empreendedorismo será um dos principais pontos de aglutinação das ciências humanas.     

Na literatura atual muito se tem falado sobre o perfil comportamental de “homens de resultados”. As características comuns a vários autores são:

- São visionários: são capazes de visualizar algo pensando nos próprios recursos, na condição real de concretizá-lo, na possibilidade, na factibilidade, e não apenas numa idealização. Esta visualização tem o pé na realidade, e comporta especificações. Estas especificações passam a dirigir a visualização. Ele planeja as especificações dando a elas medida: tudo o que diz respeito a valor, custo, dimensão e expectativa de maneira quantificada, e prazo para que elas aconteçam. Portanto, os empreendedores têm a visão de como será o futuro para o seu negócio e sua vida, e o mais importante: eles têm a habilidade de implementar seus sonhos.

- Assumem riscos calculados: como empreendedor, é essencial que tenha disposição para correr riscos, mas todo cuidado é pouco. Arriscar é enfrentar desafios conscientemente. Os riscos fazem parte de qualquer atividade e o empreendedor é capaz de administrá-los, ou seja, convivem e sobrevivem com essa instabilidade.   Para o empreendedor quanto maior o desafio, mais estimulante será a jornada empreendedora. Talvez esta seja a característica mais conhecida dos empreendedores.

- São dedicados e apaixonados pelo que fazem: adoram o trabalho que realizam, se dedicam 24horas por dia, sete dias por semana, ao seu negócio.São trabalhadores exemplares.

- São determinados, dinâmicos e otimistas: eles implementam suas ações com total comprometimento. Atropelam as adversidades, ultrapassando os obstáculos, com uma vontade ímpar de “fazer acontecer”. Mantêm-se dinâmicos e cultivam um certo inconformismo diante da rotina. O otimismo faz com que sempre enxerguem o sucesso, em vez de imaginar o fracasso.

 - Sabem explorar ao máximo as oportunidades: para os empreendedores, as boas idéias são geradas daquilo que todos conseguem ver, mas não identificam algo prático para transformá-las em oportunidades, por meio de dados e informação.

- Manutenção do foco: no processo de empreender ou desenvolver algo novo, é possível que a diversidade de informações, experiências e objetivos buscados sirva, algumas vezes, para desviar o foco do que desejamos em vez de facilitar nossa tarefa. O empreendedor elege um único caminho para trilhar, para não perder a própria identidade. O foco produz concentração e resultados.

- São líderes e formadores de equipes: os empreendedores têm um senso de liderança incomum.Tem de organizar, redirecionar esforços e manter a motivação dos seus colaboradores que estão sob a sua coordenação e por isso tem de criar uma filosofia de trabalho, definindo objetivos e métodos ao mesmo tempo, que implementa um bom relacionamento entre a equipe de trabalho.

- Possuem conhecimento: são sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois sabem que quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é sua chance de êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em cursos, ou mesmo de conselhos de pessoas que montam empreendimentos semelhantes.

- Planejam: os empreendedores de sucesso planejam as ações, ou seja, cada passo de seu negócio, e têm a capacidade de criar mapas de percurso, que inibem a improvisação.Tudo é planejado, desde o primeiro rascunho do plano de negócio, até a apresentação do plano a investidores.

- Toleram a ambigüidade e à incerteza: um dos segredos do sucesso é não temer a ambigüidade, a incerteza e o erro. O empreendedor encara o erro como parte integrante do processo de conquista.

- Criam valor para a sociedade: o empreendedor é fator de inovação tecnológica e crescimento econômico. Ele usa sua criatividade para buscar soluções para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

- São autoconfiantes e independentes: os empreendedores acreditam em suas habilidades pessoais para superar os obstáculos que a ação empreendedora exige. São independentes, em vez de empregados quer ser o próprio patrão e gerar empregos. (grifo nosso)

Diante das profundas alterações nas relações de trabalho, a sociedade tem a necessidade de formar empregadores, pessoas com nova visão do mundo e dinâmicas. Estes novos empreendedores precisam se preparar, ou seja, conhecer formas de análise do negócio, mercado e de si para perseguir o sucesso com passos firmes e não pertencerem às altas taxas de falências.

Exige-se hoje, mesmo para aqueles que vão ser empregados, um alto grau de empreendedorismo. As empresas precisam de colaboradores que além de dominar a tecnologia, conheçam o negócio, saibam auscultar os clientes e atender suas necessidades. Capacidade como trabalhar em equipe, comunicação verbal e escrita, apresentação de idéias, dimensionamento do tempo, autonomia para aprender e habilidades técnicas são valorizados no processo de contratação de novos empregados. Vale notar que nos dias de hoje capacidades comportamentais estão em ordem de importância superior às habilidades técnicas. Portanto, o profissional dos novos tempos deve ter um compromisso com a inovação e estar preparado para realizá-la. Que deve ter coragem de assumir riscos, de ver seu nome associado a uma obra, seja ela uma empresa, uma pesquisa, um projeto. Que não tenha medo de transformar sonhos em realidade. Que seja auto-suficiente, identifique e aproveite oportunidades. Este outro espírito empreendedor no mundo corporativo, o empreendedorismo interno, está sendo usado pelas maiores companhias do mundo e tem sido valorizado para liderar divisões ou departamentos.

 

1.4 DIFERENÇAS: EMPREENDEDOR E ADMINISTRADOR

Há muito mais tempo que o empreendedor, o administrador tem sido objeto de estudo. Para que haja um melhor entendimento dos papéis do administrador iremos fazer algumas abordagens sem detalhar muito o tema.

O princípio divulgado por Henry Fayol, no início do século XX, reformulado por outros autores com o passar do tempo, é de que o trabalho do administrador concentra-se nos atos de planejar, organizar, dirigir e controlar. Esta é uma abordagem clássica ou processual, com foco na impessoalidade, na organização e na hierarquia.

Outra abordagem sobre o trabalho de administrador foi feita por Rosemary Stewart, que se assemelha com ao dos empreendedores, pois compartilham de três características principais: demandas (especificam o que tem de ser feito), restrições (são os fatores internos e externos da organização que limitam o que o responsável pelo trabalho administrativo pode fazer) e alternativas (identificam as opções que o responsável tem na determinação do que e de como fazer).

Kotter procura mostrar o que os gerentes eficientes realmente fazem. Eles criam e modificam agendas, incluindo metas e planos para a sua organização, desenvolvem redes de relacionamentos cooperativos para implementá-los. Em sua maioria são ambiciosos, buscam o poder, são especializados, têm temperamento imparcial e muito otimismo.

Filion (1997) observa que “o gerente é voltado para a organização de recursos, enquanto o empreendedor é voltado para a definição de contextos”.

A abordagem proposta por Mintzberg, trata da atividade do trabalho gerencial focando os papéis dos gerentes: interpessoais (representante, líder e ligação), informacionais (monitor, disseminador e interlocutor) e decisórios (empreendedor, solucionador de distúrbios, “alocador” de recursos e negociador). Identifica o empreendedor como um possível papel do administrador.

Para Luis Antônio Bernardi (2003), “os perfis do empreendedor e administrador são distintos e complementares; os fins são de responsabilidade do empreendedor, e os meios, representados pelas técnicas de gerenciamento e controle, ferramentas gerenciais disponíveis, de orientação à gestão”. 

Quando a organização cresce, os empreendedores geralmente têm dificuldades de tomar as decisões do dia-a-dia dos negócios, pois se preocupam mais com os aspectos estratégicos, com os quais se sentem mais à vontade. Face às razões de necessidades do início de uma empresa o empreendedor tem que tomar algumas medidas de melhora para preencher as lacunas e deficiências gerenciais como: se auto-desenvolver, ou delegar o desenvolvimento organizacional, e até terceiros contratar para assessorias específicas. Consegue-se, assim, concretizar a figura do empreendedor-administrador, que são dois papéis distintos e complementares.

 

1.5 PROCESSO EMPREENDEDOR

Há várias razões para que pessoas talentosas considerem a opção de iniciar um negócio próprio. Na verdade esta opção ocorre devido a fatores externos, ambientais (recursos, políticas públicas, oportunidades, competição), e sociais (família, modelos de sucesso, equipes, networking), a aptidões pessoais (espírito empreendedor, liderança, visão, experiência profissional, insatisfação com o trabalho, demissão, idade, assumir riscos, realização pessoal, educação) ou a uma somatória desses fatores. O processo empreendedor inicia-se quando um evento gerador desses fatores possibilita o início de um novo negócio.

Degen (1989), analisa o momento econômico brasileiro propício para desenvolvimento de novos negócios a fim de satisfazer a demanda (novos padrões de consumo) e utilizar a capacidade ociosa produtiva e de pessoal. Os motivos para iniciar um negócio próprio segundo experiências observadas por ele, homens ou mulheres motivados pela vontade de ganhar muito dinheiro e, em alguns casos pelo de desejo de sair da rotina e de abandonar definitivamente o patrão.

Dolabela (1999) utiliza a teoria de Filion (1997) para entender como se forma uma idéia de empresa e quais são os elementos que a sustentam.

Filion (1997) conceitua com simplicidade o que é empreendedor, distanciando dos perfis traçados por outros pesquisadores, que não chegam a distinguir claramente o empreendedor de personagem de sucesso. A sua definição “um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões. O empreendedor ganha foro próprio, sua preocupação é com o sistema de atividades do empreendedor e como ele desenvolve seu trabalho. São elementos de suporte do processo visionário:

- conceito de si: auto-imagem – é a principal fonte de criação, é onde estão contidos os valores de cada um, sua forma de ver o mundo, a motivação e que muda em função do contexto em que o indivíduo opera;

- a energia: diz respeito à quantidade e qualidade do tempo dedicado ao trabalho; a visão é um processo permanente, que exige muita energia;

- a liderança: confere ao empreendedor maior capacidade de estabelecer e de tornar concreta sua visão;

- compreensão do setor: ameaças e oportunidades, tendências tecnológicas, funcionamento do mercado concorrencial;

- relações: os empreendedores percebem suas relações como produtos sociais dos quais precisam para melhorar, desenvolver e implementar sua visão; são importantes tanto as externas como as internas.

O empreendedor é o que dá vida a empresa. Seu talento resulta da percepção, direção, dedicação e muito trabalho. Quando o talento é somado a idéias criativas, ao Know-how, recursos, como capital e tecnologia, o processo empreendedor está na iminência de ocorrer e possivelmente crescer.  

As fases do processo empreendedor são as seguintes:

- Identificar e avaliar as oportunidades: é a tarefa mais difícil exige do empreendedor, o talento, o conhecimento, a percepção e seu feeling.

- Desenvolver o plano de negócio: é uma ferramenta que sintetiza toda a essência da empresa, sua estratégia de negócio, seu mercado e competidores, como gerar receitas e crescer.

- Determinar e avaliar os recursos necessários: determinar os recursos necessários é conseqüência do que foi feito e planejado no plano de negócios. A captação de recursos pode ser feita de várias formas e por meio de várias fontes distintas (bancos, economias pessoais, a família, aos amigos, capitalista de risco).

- Gerenciar a empresa criada: o empreendedor nesta fase deve reconhecer suas limitações e recrutar colaboradores que tenha perfil complementar.

As fases estão apresentadas em forma seqüencial, porém, na prática, esta ordem nem sempre é seguida rigorosamente.  Cada fase do processo empreendedor tem seus desafios e aprendizados. Muitas incertezas estarão presentes ao longo de todo o processo, e a equipe empreendedora deverá saber como lidar com os riscos e as possíveis conseqüências para o negócio e para eles mesmos.

 

1.6 IDENTIFICAR OPORTUNIDADES

Identificar oportunidades é a primeira fase do ciclo de criação de um negócio. Atrás de uma oportunidade existe sempre uma idéia. O importante das idéias não é o fato de serem ou não únicas, mas como transformá-las em um produto ou serviço que faça sua empresa crescer. As oportunidades é que geralmente são únicas. É preciso que o empreendedor saiba agarrá-las no momento propício. As idéias precisam ser submetidas a um processo de validação, neste momento o empreendedor tem que testá-las junto a clientes em potencial, empreendedores mais experientes, pois uma idéia sozinha não vale nada, se não for houver a identificação da necessidade de mercado e saber como atendê-la.

O empreendedor mesmo tendo uma idéia brilhante tem que conhecer a dinâmica do mercado, a forma operacional da empresa em que atua, ter paixão pelo negócio, assim as chances de sucesso nesses casos são maiores.

A criatividade só ocorre em pessoas que estão abertas para que isto ocorra, estão atentas a tudo que ocorre à volta delas, são curiosas e questionadoras. Assim qualquer fonte de informação (televisão, rádio, revistas, jornais, internet, fornecedores, compradores, entidades de classe, outras pessoas de todas as idades e níveis sociais, brainstormings, conferências e congressos da área) pode ser um ponto de partida para novas idéias.  

Na identificação das oportunidades, precisa-se verificar se são adequadas para o empreendedor, ou seja, serem compatíveis e adequadas com suas características individuais, personalidade, valores, preferências, visão do mundo, sonhos.

O empreendedor deve ter um objetivo maior em mente. Precisa trabalhar com uma visão de futuro. Esta visão de futuro que permitirá verificar se qualquer decisão adotada infringiu algum critério definido como prioritário. Ela será a bússola para ajudar o empreendedor a identificar onde está, o que procura e apontará os passos para ir adiante.

Saber selecionar a melhor oportunidade exige do empreendedor uma análise racional de negócio que envolve vários fatores, entre eles o conhecimento do assunto ou ramo de atividade em que a oportunidade está inserida, seu mercado, os diferenciais competitivos do produto/serviço antes de partir para a concepção de um plano de negócios. Não existe uma regra para definir se a oportunidade é boa ou ruim, mas, analisando estes aspectos o empreendedor poderá focalizar a oportunidade correta.

A oportunidade deve ser analisada sob os seguintes prismas:

- Mercado

O mercado é a arena de operações da empresa. A empresa precisa estar voltada para o mercado e para o cliente, bem como para a competição. O empreendedor precisa descobrir as necessidades do cliente, a fim de projetar mercadorias e serviços adequados a essas necessidades, agregando valores e fazendo com que ele escolha seu produto/serviço e não o dos concorrentes.O mercado é muito complexo, enorme e altamente diferenciado, o empreendedor precisa estudá-lo e pesquisá-lo para melhor trabalhar nele. Quanto maior o estudo e a pesquisa de mercado, mais informação o empreendedor consegue a respeito de seu mercado, melhor é seu desempenho em relação aos concorrentes que disputam os mesmos fornecedores e os mesmos consumidores e menor é a incerteza do empreendedor com relação ao complexo mundo que o cerca.

- Análise econômica

O sucesso de qualquer negócio depende de várias decisões que o empreendedor deve tomar antes de iniciá-lo. Para fundamentar essas decisões, o empreendedor deve elaborar um pequeno projeto de viabilidade financeira do negócio para saber a partir de que volume de atividade econômica a empresa se torna viável e lucrativa. A primeira etapa do estudo de viabilidade econômica é a definição dos custos da empresa (fixo e variáveis) que permitirão calcular o chamado ponto de equilíbrio, ou ponto de paridade (definido como o valor e/ ou quantidade vendida que não apresenta nem lucro nem prejuízo para a empresa). Deve-se ainda considerar o montante de dinheiro necessário para se iniciar o negócio, ou seja, o investimento inicial. É com o capital inicial que a empresa tem condições de reunir recursos empresariais necessário ao seu funcionamento, sejam eles recursos humanos, materiais ou financeiros. A quantidade de investimento inicial pode determinar se o empreendedor tem condições de começar o negócio ou não. O capital representa o maior risco ao empreendedor que assume incertezas do negócio. O desafio é buscar uma conciliação entre o risco (é medido pela probabilidade de a empresa tornar-se incapaz de pagar suas contas e dívidas nos vencimentos) e o retorno financeiro (é medido pelas receitas menos os custos incorridos) de uma empresa. O retorno financeiro de uma empresa é o lucro. Aumentar o lucro e diminuir os custos é a grande preocupação do empreendedor.

- Vantagens competitivas

O empreendedor deve ponderar as potencialidades do negócio. O potencial do negócio representa o grau em que o negócio pode dar certo, e conseqüentemente, crescer, prosperar e expandir-se, tornar-se realidade no curto, médio ou longo prazo. As potencialidades estão relacionadas com oportunidades do mercado, vantagens quanto aos concorrentes, facilidades de fornecimento, expansão do mercado consumidor e perfil excelente do produto/serviço.

Vantagem competitiva está ligada a diferenciais que proporcionam um ganho para o consumidor. Conhecer o cliente é fundamental para que o produto ou serviço atenda aos anseios dos consumidores, e trabalhar o produto ou serviço foco no foco do cliente pode transformar em vantagens competitivas em relação aos demais existentes no mercado.

O empreendedor utiliza-se de seu talento e intuição para transformar ameaças em oportunidades para o seu negócio.

- Equipe gerencial

De nada adianta identificar uma oportunidade, criar um produto/serviço, ter um mercado promissor, um bom plano de negócios, se o empreendedor não tem uma equipe à altura do negócio que está sendo criado. Ao montar ou dinamizar uma equipe, é preciso juntar as qualidades pessoais ao conhecimento e às habilidades necessárias no mundo dos negócios. A equipe tem que conhecer todas as facetas do negócio em que ela irá trabalhar, ter orgulho e paixão pelo que irão fazer, para que haja total comprometimento.

A decisão de abrir um negócio é muito mais do que uma análise de viabilidade econômica, mercadológica ou financeira, é buscar compatibilidade entre o empreendedor e sua idéia de empreender, e para que ele para caminhe com mais segurança por este terreno nebuloso e ainda desconhecido é preciso informações. Ela é a arma estratégica de uma empresa moderna e deve logo de início saber usá-la, e bem.

 

1.7 ENTIDADES QUE TRABALHAM NA ASSESSORIA E NO DESENVOLVIMENTO DE EMPREENDEDORES

O empreendedor por melhor e mais completo que seja, sempre necessitará de ajuda externa. A maioria das micro e pequenas empresas, do início de sua trajetória até a consolidação no mercado, passam por diversas dificuldades, podendo seus sonhos transformar-se em pesadelos. Algumas assessorias devem ser consideradas nestes momentos críticos, as iniciativas empreendedoras, programas de apoio, entidades de classe, organizações não governamentais, associações, eventos, seminários e publicações têm surgido para amparar essas pequenas empresas.

Estas instituições desenvolvem ações para se criar massa crítica favorável a uma “cultura do empreendedorismo” que ajuda a melhorar as condições de empreendedores potenciais.

 O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae- é a mais conhecida e principal entidade que apóia os empreendedores brasileiros, que buscam junto a este órgão todo suporte de que precisam para iniciar sua empresa, bem como consultorias para resolver pequenos problemas pontuais de seu negócio.

O Sebrae é administrado pela iniciativa privada e, trabalha desde 1972 pelo desenvolvimento sustentável das empresas de pequeno porte. Atua no Brasil inteiro por vários mecanismos como: capacitação, mobilização, disseminação do empreendedorismo e do associativismo.

 

Seus programas e projetos estão distribuídos nas seguintes áreas:

 

- Acesso à tecnologia: Via Design, Sebrae TIB, Sebrae TEC e Bônus Metrologia.

- Acesso à Serviços Financeiros: Capital de risco, Cooperativa de Crédito e micro-crédito, Fundo de Aval e Programa Jovem Empreendedor.

- Desenvolvimento Setorial: Arranjos Produtivos Locais, Projeto Empreender, Projeto Aprisco e programa Sebrae de Turismo.

- Orientação Empresarial: Responsabilidade Social Empresarial e Biblioteca On Line.

- Faça Bons Negócios: Feira do Empreendedor.

- Educação Empreendedora: Site de Educação, Como vender mais e melhor, Desafio Sebrae e A gente sabe, a gente faz.

- Políticas Públicas: Mediação e Arbitragem Empresarias e Fórum Nacional de Microempresas.

- Desenvolvimento Local: Projeto URBE e Programas de Desenvolvimento Local.

- Assessoria Internacional: Metodologia de Desenvolvimento de APLs, Projeto Promos, Dekassegui Empreendedor e Mercosul.

O papel do Sebrae, portanto, é estratégico para o desenvolvimento do país, promover o desenvolvimento das empresas de micro e pequeno porte.

A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores – ANPROTEC é uma entidade sem fins lucrativos de apoio as incubadoras. As incubadoras existem para que idéias inovadoras e promissoras não sejam desperdiçadas. É um ambiente flexível e encorajador aos empreendedores que querem desenvolver suas potencialidades e fazer sua empresa crescer. Nesse ambiente ele desfrutará de condições físicas, suporte técnico-gerencial, serviços compartilhados como laboratórios, telefone, internet, fax, telex, copiadoras, correio, luz, água, segurança, capacitação por meio de cursos e treinamentos e formar uma rede de relacionamentos. As incubadoras são de caráter bastante eclético: tecnológicos, convencionais, mistas, culturais, agroindustriais, de artes e as cooperativas.

A ANPROTEC tem apoio e a parceria de importantes instituições como Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas Empresas (Sebrae), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

Para que o Brasil possa ter maior desenvolvimento econômico internacional é preciso que as empresas tenham processos e serviços de alto valor agregado. A incubação de empresas é uma promissora estratégia para que conhecimento e pesquisa resultem em empreendimentos inovadores.

O empresariado brasileiro não tem hábito de recorrer às universidades e aos institutos de pesquisa para solucionar problemas de tecnologia em suas empresas, ou mesmo para promover inovação tecnológica.

No Brasil existem algumas iniciativas neste sentido. As empresas juniores formadas por estudantes dos mais variados cursos de graduação ajudam os empreendedores a resolverem problemas e otimizarem de forma substancial processos e produtos em pequenas empresas, que não possuem Know-how para fazê-lo.

A Federação das Empresas Juniores de Estado de São Paulo (FEJESP) é uma associação sem fins lucrativos que tem por missão promover o crescimento do movimento Empresa Júnior no cenário brasileiro e, possuem cadastro de todas as empresas júnior do país, preparadas para atender ao empreendedor.

Existem ainda os institutos de pesquisa que tem administração independente que desenvolvem pesquisa de alto valor agregado, promovem a transferência de tecnologia para o setor privado, auxiliam o empreendedor na resolução de questões tecnológicas, na captação de recursos e no desenvolvimento de uma eficiente rede de contatos.

O Instituto Empreender Endeavor é uma entidade internacional sem fins lucrativos. Tem como objetivo a orientação e educação dos empreendedores de inovação em relação aos temas de maior relevância para suas atividades. Essas atividades facilitam o acesso dos empreendedores a diversos recursos fundamentais de seus negócios, tais como informação e suporte qualificados e redes de contatos e capital.

Enfim, o empreendedor tem a oportunidade de tomar contato com entidades que provavelmente serão seus parceiros de negócios duradouros. O empreendedor bem preparado dá vida à empresa. Sem ele, excelentes recursos, como capital, tecnologia, tempo, pessoas, podem não redundar em uma atividade de sucesso.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente, têm surgido muitos livros sobre o sucesso de empreendedores com o objetivo de orientação profissional e como disseminação do empreendedorismo, para que os leitores possam ter conhecimento de trajetórias de vida e trabalho de pessoas que conseguiram criar e desenvolver seus empreendimentos associando a teoria com a prática. Estes relatos levam as pessoas a constantes reflexões.

No empreendedorismo o ser é mais importante do que fazer, daí as características do empreendedor e sua influência no sucesso de um negócio são referência de estudo.

Muitos autores questionam sobre as características que predominam na pessoa do empreendedor e se elas estão presentes na maioria das pessoas de sucesso.

Pretendeu-se com este estudo identificar características, traços de personalidades mais comuns nos empreendedores de sucesso e contribuir para a compreensão daqueles que queiram ingressar nesta trajetória, aperfeiçoando-se sempre, se auto-conhecendo e procurando complementação, reforço para suas deficiências. A vida de um empreendedor é um processo permanente de aprendizagens em relação às constantes mudanças que o ambiente empresarial proporciona.

Os empreendedores são pessoas muito especiais para a sociedade, são responsáveis pelo desenvolvimento de uma empresa, de uma cidade, de uma região, enfim, pela construção de uma nação. O avanço da economia depende dos pequenos negócios, que respondem por grande parte da geração de empregos, riquezas e inovações tecnológicas. Investimentos em educação empreendedora e infra-estrutura, mais crédito, dinheiro mais barato, menos burocracia, mudanças na legislação brasileira poderia elevar o nível de empreendedorismo no Brasil.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

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< http://empresas.globo/Empresasenegocios/> Acesso em: 28 março 2005.

 

 

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