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Revista Recre@rte Nº5 Junio 2006 ISSN: 1699-1834 http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte05.htm |
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CLARIFICAÇÃO E EDUCAÇÃO EM VALORES NA
PERSPECTIVA DE RATHS Tânia
Baraúna ssa132273@terra.com.br BAHIA. Em todas as
atividades da nossa vida , nas nossas escolhas estão
contidos os nossos valores. Desde os
livros ou textos que sugerimos aos nossos alunos, os trabalhos que indicamos, esta contida uma hierarquia de valores. Tais
valores envolvem também, a instituição educacional, a sua forma de
gerenciamento, as relações e as regras de convivência
estabelecidas entre os indivíduos. Em todas estas ocorrências e muitas
outras, explícita ou de maneira implícita, desvendam os valores que
privilegiam nas nossas escolhas. Da mesma forma, a
educação para os valores ocorre em todos os momentos da nossa vida, passa por
todas as interações interpessoais, nas relações com
a família e a sociedade. Tudo isto ocorre mesmo que não se encare e discuta a
questão da educação para os valores. É papel do educador,
do professor, ajudar e contribuir na clarificação dos valores dos educandos, dos alunos e da sociedade como um todo,
através da criação de estratégias de trabalho que facilitem e viabilizem esta
clarificação. Apresentamos uma
abordagem que têm sido considerada como alternativa
para trabalhar-se com valores, sistematizada na teoria da clarificação dos
valores de Raths, onde encontramos elementos que
contribuem a reflexão de forma mais determinada. Observamos que, na
atualidade as mensagens conflitantes, geram incoerência entre os valores
declarados e os vivenciados, dificultando a clarificar os nossos e as das
demais pessoas que nos circundam. O valor de uma pessoa,
deve servir tão eficientemente quanto possível para estabelecer
relações com o seu meio (pessoas, animais, natureza, instituições etc), de uma maneira satisfatória e inteligente. Quando o
mundo é percebido de uma maneira confusa e contraditória, o homem apresenta
padrões de comportamentos diversos. Uns tornam-se apáticos, outros inseguros,
alguns mais confusos. Segundo Raths, este processo
deve fazer-se sem grandes pretensões iniciais, isto é, partir de um primeiro
passo em que apenas se chama a atenção das pessoas para os aspectos da sua
vida que podem indiciar algo que valorizam. Ao trabalharmos com a
clarificação de valores na educação, com alunos, devemos prestar a atenção
sobre os nossos interesses, aspirações, sentimentos, inquietações, objetivos,
como também introduzir
o tema em discussões gerais da vida, mais pessoais ou sociais,
tais como a amizade, a lealdade, a ternura, a política, a lei, a ordem, os
valores declarados,etc. Ao desenvolvermos projetos com esta proposta
temos que considerar a aceitação, uma solicitação à reflexão mais abrangente
do universo social ao qual se esta inserido. È um
convite a que se faça escolhas mais ponderadas, com
a consciência mais esclarecida daquilo que o indivíduo realmente estima e com
uma maior integração do valor referente das escolhas. A fundamentação da clarificação de
valores é o de que as pessoas podem ser ajudadas a debruçarem-se sobre as
questões de valores e a integrarem as suas escolhas, podendo então continuar
a fazer isso pela vida afora, aumentando a sua possibilidade de auto direção
esclarecida, clarificada. Não se pretende que
seja um processo fixo, deverá ser planejado de modo a contribuir para que os indivíduos
possam reconhecer , clarear as necessidades de opções com mais esclarecimento e consciência. Para Raths, mais do que apresentar uma teoria para promover o
comportamento inteligente e auto dirigido, a clarificação de valores
constitui um norte para os que trabalham com a educação, com numerosas
sugestões de trabalho e que só poderá ser analisado a partir dos elementos
colhidos na sua própria vivencia, experiência. Raths
considera importante à questão do processo de aquisição dos valores de cada
indivíduo, a partir de um conjunto disponível, que beneficie as escolhas. É o
processo de recriação constante dos valores em cada tempo que, se pode
apresentar aos educandos o que lhes servirá pela
vida fora, nas situações diversificadas em que tiverem de fazer opções.
Apresenta o seu método como uma via onde se possa contribuir que para os
educadores e educandos se tornem mais decididos, mais
entusiastas, coerentes, integrando melhor a razão, as emoções e os
comportamentos. O foco do processo é
a aquisição de valores, nesta perspectiva, para que algo se diferencie como
um valor deve passar a avaliação de preencher em simultâneo certos
requisitos. Caso contrário, poderá constituir uma
crença ou atitude, mas não um valor. Os sete critérios que se referem ao processo
de valorização e a que se deve submeter algo,
para que seja considerado um valor, são: 1.
escolha livre; 2.
escolha de entre
alternativas; 3.
escolha feita depois da
consideração ponderada das conseqüências de cada alternativa; 4.
ser capaz de ser
elogiado e aplaudido; 5.
ser capaz de ser
afirmado publicamente; 6.
manifestar-se no nosso viver e
no nosso comportamento; 7.
manifestar-se em várias
situações e ocasiões, isto é, ser freqüente e repetir-se. Sintetizando, para
que algo atinja o nível de um valor deve ser escolhido livremente e,
com a consideração pensada das conseqüências de várias alternativas, deve ser
apreciado e deve manifestar-se na atuação daquele que tem esse
valor. Daqui resulta que
nem tudo em nós são valores. Temos objetivos, aspirações, crenças, que não
sendo ainda ou nunca venham a ser valores, são por vezes os seus indícios ou,
nos termos de Raths, indicadores importantes e em
relação aos quais se deve iniciar o processo de
clarificação. Entre estes indicadores, estão além dos nossos objetivos,
aspirações e crenças, as nossas atitudes, interesses, sentimentos e
convicções, atuações, aborrecimento, problemas, obstáculos. Neste processo o
educador encoraja, o educando a clarificar aquilo que valoriza, sem a
intenção de persuadi-lo a aceitar um conjunto pré-estabelecido de valores.
Para levar a cabo esta tarefa, o educador deverá
encorajar o aluno a fazer mais escolhas e a fazê-las livremente, ajudar a
descobrir alternativas e a refletir nas conseqüências de cada uma, ao mesmo
tempo em que encoraja a considerarem o que apreciam e a afirmarem-no, quando
necessário e oportuno, bem como a atuarem e a comportarem-se de acordo com as
escolhas, de maneira sistemática. Este tipo de estratégia deverá sempre
aparecer como um convite e não como uma obrigação. O meio educacional,
a escola necessita instituir uma ética que motive seus deveres, seus
direitos. Essa ética deverá brotar dos valores de cada um a ser aceita pela
maioria, após apreciação e discussão. È imprescindível respeitar para que
haja consistência entre os valores de cada individuo e os da escola. Cabe a escola,
definir e clarificar os valores, ser um local em que se difunda processo de
clarificações individual de valores. È essencial não haver restrições,
intolerâncias e repressões às valorações dos educandos; devendo ser valorizados os questionamentos
críticos sobre essa valoração. O aluno deve conferir a validade ou não de
seus valores em função de seu desenvolvimento, analisando em que medida lhe
interessa a sustentação ou a mudança dos sistemas ou do mundo em que vive. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICA ·
Merrill Harmin, Howard Kirschenbaum and
Sidney B. Simon, Clarifying Values Through Subject Matter: Minneapolis:
Winston Press, 1973. 146p. ·
Raths, L., M. Harmin e S. Simon (1966), Values and Teaching, Columbus, Ohio, Charles E. Merril. Tânia Baraúna Enfermeira, Psicopedagoga. Mestre em
Educação e Sociedade-UAB-Barcelona Doutorada Educação e Sociedade-
UAB-Barcelona SALVADOR-BAHÍA. BRASIL |
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