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Revista Recre@rte Nº5 Junio 2006 ISSN: 1699-1834 http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte05.htm |
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MODELO HOLÍSTICO DE PREVENÇÃO AO USO E ABUSO DE
DROGAS NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA E PRIVADA DE PORTO ALEGRE-RS-BRASIL Elizabeth Remor Krowczuk Doutora em Filosofia e Ciências da Educação-Univ. Santiago
de Compostela-Espanha. Mestre em Educação, Ciência Política e Sociologia
– UFRGS. INTRODUÇÃO A necessidade de
prevenir o consumo abusivo de substâncias psicoativas
na atualidade é uma meta extremamente necessária e urgente diante do panorama
internacional e nacional que nos confrontamos. Alguns países como os Estados
Unidos, Canadá, Grã Bretanha, França, Itália, Espanha e outros países membros
da União Européia extremamente preocupados com o crescente aumento, a partir
do final da década de oitenta, de consumidores de substâncias psicoativas (drogas lícitas e ilícitas) cada dia mais
jovens, têm
intensificado suas políticas de intervenção sobre as conseqüências
socialmente disfuncionais do problema da droga, sobre os drogadictos
e seu contexto, e intervenção sobre o sistema gerador do problema, mas com o
envolvimento de toda a sociedade. O investimento em programas de
prevenção ao consumo de drogas no contexto escolar e comunidades consideradas
de alto risco tem sido a tônica, mas os resultados esperados nem sempre foram
exitosos. Nas últimas duas décadas do século XX
cresceu, vertiginosamente, o número de estudos voltados a identificar fatores
predeterminantes de risco e/ ou protetores de consumo de drogas entre grupos
etários de crianças e adolescentes (8 a 17 anos). Assim sendo inúmeros modelos
de prevenção ao consumo abusivo de drogas têm sido divulgados como propostas
norteadoras à intervenção educativa para evitar e/ ou postergar o uso e
controlar o consumo disfuncional dos sujeitos drogadictos. Os profissionais de diferentes
áreas de conhecimento, num trabalho conjunto de interdisciplinaridade,
passaram a investigar o problema crescente da drogadependência
especialmente na adolescência. Esta entendida como etapa evolutiva
extremamente vulnerável, porque se encontra em pleno desenvolvimento biopsicossocial além de manter uma relação dinâmica com o
contexto sócio-ambiental. Os jovens necessitam de novos marcos de referência
para levar a termo sua individualização e independência e assim completar seu
processo de socialização iniciado na família. A influência de determinados
modelos de comportamento presentes no seu contexto microssocial
(família, escola, grupo de iguais e amigos, locais de consumo) e no contexto macrossocial com seus aspectos de caráter
sócio-estrutural (disponibilidade/ oferta de substâncias, fatores culturais, normas,
valores, contexto do bairro/ vila/ favela onde vive), são de vital
importância para compreender a dimensão em relação ao problema de consumo de
drogas na adolescência, além de considerar as próprias características de
personalidade. O estudo do consumo de drogas psicoativas é multifatorial,
portanto as
propostas de intervenção preventiva deverão ser multidisciplinares e multidimensional
para mudar o panorama atual de total descontrole e inoperância de políticas
públicas, que até então se centraram em campanhas de prevenção meramente
informativas, desprovidas dos conhecimentos gerados pela investigação
científica, e políticas direcionadas a adoção de modelos
descontextualizados.
Os profissionais que trabalham
diretamente com o problema das drogadependencias
estão conscientes da existência de ideologias dominantes na sociedade. Estas
são visíveis ao analisarmos as políticas do Estado com os denominados
programas de intervenção estratégica, ações centradas na repressão de
condutas delictivas, as socialmente censuráveis e
as psicologicamente indesejáveis. As estratégias adotadas oscilam desde formas
leves de reprovação social, até formas mais severas de sansões legais. Estas
são manifestadas através de distintas formas de exclusão social,
marginalização e repressão policial (chacinas, grupos de extermínio, etc.). A população em geral sofre com
a violência reinante e as famílias afetadas com o problema das drogas embora
tenham consciência da gravidade que os afeta, poucos são pais e familiares
que se engajam num projeto integrado com a escola e com a comunidade, visando
tomada de posição efetiva de toda sociedade para prevenir e intervir sobre as
causas presentes nos contextos geradores de condutas adictas, e exigir do
Estado uma tomada de decisão que atenda aos anseios da população brasileira. Estes são os grandes
obstáculos enfrentados quando desejamos realmente investir num trabalho sério
direcionado a prevenção educativa, além da precariedade de recursos humanos
habilitados e motivados, de recursos econômicos e condições de infraestrutura
para operacionalizar programas direcionados a criança e a população jovem,
que se encontram dentro do sistema educacional brasileiro. È imensurável os
obstáculos enfrentados ao se tentar realizar programas de prevenção ao
consumo de drogas e redução de danos com aqueles excluídos socialmente,
milhares de crianças e adolescentes “de rua” e “nas
ruas”, que formam um grande contingente de marginalizados
potencialmente engrossando os grupos delinqüentes e drogadependentes, com
condutas manifestas de extrema violência presenciadas pelas populações
residentes em grandes metrópoles e pequenas cidades do país. Reconhecemos a relevância das
contribuições proporcionadas a partir de estudos multidisciplinares
efetivados com o objetivo de identificar e compreender as dimensões
sócio-culturais, as motivações e padrões de conduta disfuncional de consumo e
dos predeterminantes, ou seja, fatores de risco de caráter individual, microssocial e macrossocial que
influem na configuração da síndrome de drogadependência
(Orte, 1994; Calafat,
1995; Kalina, 2001). Muitas teorias que podem
embasar programas de prevenção foram elaboradas, mas são duas as que se
destacaram, a teoria de aprendizagem social (Bandura,
1977) e a teoria de conduta problemática (Jessor e Jessor, 1977) pela praticidade apresentam e propõem
estratégias de prevenção.Outros enfoques de prevenção mais prometedores
contra o consumo de drogas na adolescência se centram em todos os fatores psicossociais (risco) que estimulam o inicio do uso e do
abuso. Destacam-se outros programas de intervenção preventiva que adotam
estratégias direcionadas a agir sobre as influências sociais para impedir o
surgimento de novos casos de consumo disfuncional, e aqueles enfoques
direcionados a aumentar a competência pessoal e social através do treinamento
de habilidades de resistência diante da oferta de drogas visam impedir ou
postergar o uso experimental/ social de diferentes substâncias psicoativas. O
Programa de Formação em Habilidades para a Vida, desenvolvido por Gilbert Botvin destaca cinco
principais componentes, resultados das conseqüências a curto e longo prazo do
uso de substâncias, incluindo biofeedback para
demonstrar os efeitos imediatos de fumar: habilidades em tomar decisões e
estímulo ao pensamento crítico; habilidades para enfrentar a ansiedade; competências
sociais para resistir a pressão dos grupos de iguais e superar a timidez; e
capacidade de autoajuda para melhorar a
auto-imagem.Outros enfoques surgiram enfatizando a aquisição de habilidades
sociais e formação de habilidades pessoais genéricas para enfrentar a vida (Botvin y Botvin, 1993). A partir de meados da década de
oitenta as investigações sobre prevenção em drogadependências
cresceram inicialmente nos Estados Unidos, Canadá, se proliferando em alguns países
da Europa por enfrentaram as conseqüências disfuncionais do problema da
droga, também influenciando pesquisadores brasileiros que estavam ligados e
envolvidos diretamente com o tratamento de indivíduos adictos a substâncias psicoativas de uso lícito e ilícito. Os estudos epidemiológicos e
levantamentos sobre o consumo de drogas ocorreram inicialmente com
adolescentes se estendendo até pré-adolescência, direcionados a escolares do
ensino 1º e 2º graus da rede pública e privada em nível internacional e
nacional. Tais estudos tinham como meta conhecer o perfil de consumidores de
drogas, contribuir para o setor educacional, visando a concretização de ações
que favoreçam a conscientização da comunidade escolar, e da sociedade para
redução da demanda das drogas e a melhoria da qualidade de vida. O conhecimento de fatores
sociais, psicológicos e também uma série de fatores farmacológicos passaram a
ter uma importância cada vez maior para a compreensão do estímulo/ reforço e
da manutenção de padrões regulares de uso de substâncias psicoativas. Tais
conhecimentos têm contribuído para elaboração de estratégias viáveis de
planejamento e desenvolvimento de programas com ações direcionadas a prevenção
do uso e abuso de substâncias psicoativas. As
estratégias devem ser adequadas ao contexto escolar. Os modelos de prevenção (Nowlis,1982)
divulgados internacionalmente foram
adotados em muitos países, inclusive no Brasil, sem uma massa crítica capaz
de rebatê-los. Estes foram implantados de forma descontextualizada, não
partindo de estudos do conhecimento de tipo de contexto sócio-cultural-econômico, características
pessoais de personalidade dos sujeitos, tipo de drogas ofertadas e consumidas
pela juventude. Em países onde tentaram implantá-los e como se demonstraram
inoperantes outras novas propostas foram sendo apresentadas. Estudos mais
recentes da Psicologia da Saúde visando à compreensão dos fenômenos psico-sociais apresenta o modelo biopsicossocial,
que tem uma metodologia própria de intervenção a prevenção, e destaca a
importância da interdisciplinaridade. No século XX autores como Goldmann e Vigotski (1999)
enfatizam ser imprescindível a apreensão da realidade em sua totalidade.
Compartilhamos com a idéia de que o ser humano deve ser visto em sua
totalidade interagindo com o ecossistema. Para isso é imprescindível que nos
libertemos de visões fragmentadas da realidade e interpretemos a realidade de
acordo com nossa visão de mundo real e imaginário em sua totalidade. Para Marques (1986) a lógica do
relacionamento humano do mundo típico apóia-se na supressão dos sentimentos e
a ênfase nas idéias. Espera-se que as pessoas se mantenham numa racionalidade
fria, neutra e impessoal. Em contraste, o mundo atípico das relações interpessoais aponta para uma lógica em que as pessoas
são criativas, possam concomitantemente expressar idéias e sentimentos. Ao se
sentirem mais libertas e independentes, sentem se mais livres para serem
autenticas. Como vivemos em uma sociedade predominante do mundo típico, as
pessoas sofrem de cegueira psicológica, pois não percebem aquilo que não é
visível. Goldmann
em sua leitura da realidade nos chama atenção para o princípio da união dos
contrários, que abrange as totalidades parciais e as fundamentais, mostrando
a existência de uma relação dialética entre “os fenômenos e sua
essência, o singular e o universal, o particular e o geral, a imaginação e a
razão, a base material e a consciência, a teoria e a prática, o objetivo e o
subjetivo, a indução e a dedução”. Vigotski
(1999) concebe o homem como alguém que pensa, raciocina, deduz e abstrai, mas
também é um ser capaz de sentir, se emocionar, desejar, imaginar e se sembilizar diante do universo real. A visão do ser humano
expressa por Vigotski vai ao encontro das
concebidas por autor como Capra (1983), Brandão
(1995), Weill, D’ Ambrosio, Crema (1993),
Damásio (1996) que defendem uma abordagem holística, através da busca do
equilíbrio entre os hemisférios esquerdo e direito do cérebro. Para Weill
a abordagem holística nos conduz a uma visão não fragmentada da realidade,
onde sensação, sentimentos, razão e intuição se reforçam e se equilibram.
Entendemos que essa abordagem esta centrada na criatividade em qualquer campo
do saber ou de ação, destacando que o homem trabalhe o todo através da
utilização de todo seu potencial numa intíma
relação existente entre o intelecto e afeto, e não apenas uma fração sua como
algo incompleto. A abordagem holística surge,
portanto, como uma necessidade humana de sua própria superação, enquanto ser
fragmentado, e superação da fragmentação do conhecimento, características
próprias do paradigma dominante do mundo típico. O conceito de hólon desenvolvido por Arthur Koestler, significa que todos os entes, das moléculas,
passando pelos seres humanos, até os sistemas sociais podem ser considerados
todos no sentido de serem estruturas integradas e também parte integradas de
toda grandeza, em níveis superiores de complexidade. Os hólons
são possuidores de duas tendências básicas: uma integrativa e outra
auto-afirmativa. Ao pensarmos no ser humano enquanto hólon,
a tendência dá ao indivíduo a consciência que o faz sentir-se parte de um
grupo social. A tendência auto-afirmativa oportuniza a consciência de sua
singularidade, se diferenciando de seus semelhantes através de sua
personalidade. A existência de uma tendência não excluiu a outra, mas sim se
completam na busca de um equilíbrio. Subjacente à abordagem
holística, encontra-se à concepção sistêmica, qual permite compreender melhor
os fenômenos mais complexos em permanente transformação, como os organismos
vivos e os sistemas sociais. Ao visualizar o ser humano em sua
totalidade (visão holística) numa perspectiva contextual ampla interagindo
com o ecossistema (ecologia humana), partimos para o estudo da realidade onde
pretendemos apresentar indicadores de intervenção educativa preventiva ao
consumo de drogas e o problema da drogadicção na
adolescência. Trata-se de uma proposta de
construção de um Modelo Holístico de prevenção ao uso e abuso de drogas para
o contexto escolar, onde os adolescentes estudantes de escolas de ensino
médio da cidade de Porto Alegre são os protagonistas. Touraine
(1988) preconiza o “retorno do ator”, ou seja, o jovem enquanto
sujeito ativo, participando plenamente no desenvolvimento de programas
educativos de prevenção ao uso e abuso de drogas e não mero receptor de
mensagens injuntivas. A sociedade moderna reprimiu
o homem, que se tornou agente passivo de um sistema hegemônico dominador e
opressor. As propostas de intervenção educativa
de prevenção ao inicio do uso e do comportamento disfuncional de consumo de
drogas na escola serão conducentes a valorizar a vida, a saúde pela adoção de
um estilo de vida saudável, o ecossistema, o prazer e a originalidade
pessoal, o sucesso, a liberdade de expressão, a expressão do potencial de
criatividade, a elucidação e a internalização de
valores, fortalecer à auto-estima e auto-imagem corporal-social, formar
habilidades para enfrentar os desafios da vida de crianças e adolescentes,
com envolvimento da família, professores e membros de sua comunidade
residencial. Partindo de reflexões após
análise de inúmeros modelos ofertados na literatura internacional nos
apropriamos de alguns aspectos contemplados e valorados no modelo biopsicossocial (Nowlis, 1982)
no modelo da gênese de consumo (Santacreu, Zaccagnini, Márquez, 1992), modelo de atitudes (Orte, 1994), de estilo de vida saudável (Segal et al. 1980), de educação
afetiva (Swisher, 1979), modelo de pressão positiva
do grupo de iguais/pares (Swadi, Zietlin, 1988), modelo de educação centrada em valores (Moradillo, 1994), modelo sócio-cultural, modelo multivariado (escolar, familiar e comunitário) de
prevenção de drogadependencias (García-Rodríguez, 1993) nos
direcionando a visualizar o ser humano integral (visão holística) numa
perspectiva contextual ampla, interagindo com o ecossistema (ecologia humana)
se adaptando ou se autodestruindo . Para propormos um modelo de
prevenção ao uso e abuso de drogas para um contexto escolar devemos primeiro
conhecer a realidade, delimitar a população alvo, formular objetivos
possíveis de serem alcançados, planejar as ações e programas, definir
estratégias de intervenção e o sistema de avaliação. 1.- CARACTERÍSTICAS DO MODELO O Modelo Holístico é abrangente
por pretender enfocar os fatores biopsico-sócio-cultural
como indicadores predeterminantes de risco (oriundos e facilitadores) de
iniciação ao uso/ consumo e do abuso de drogas legais e ilegais
configurando-se como drogadependência, e se
concentrar naqueles fatores considerados protetores do consumo de drogas por
adolescentes e préadolescentes, faixa etária de
maior vulnerabilidade (9 a 19 anos). Este modelo biopsico-sócio-cultural
pretende integrar as atividades desenvolvidas pela comunidade escolar com a família
(do aluno), os agentes sociais e lideranças presentes no contexto sócio
cultural onde reside o estudante. O modelo holístico visa orientar o
planejamento de programas e estratégias de intervenção de prevenção a drogadependencia, ou seja, prevenir o uso (o surgimento
de novos casos), retardar a idade de
início do consumo disfuncional (drogadicção) e
impedir os problemas derivados do consumo disfuncional (abuso) de drogas
lícitas e ilícitas, através de estratégias de intervenção centradas na
prevenção primária e secundária . 1.1 População alvo O planejamento de estratégias de
prevenção à drogadependencia é direcionada
a três grupos de população descritos a seguir: · Adolescentes
e préadolescentes (9 a 19 anos), especialmente os
estudantes do ensino médio e aqueles escolares das ultimas séries do ensino
fundamental; · Agentes
Sociais da comunidade escolar tais como pais/ familiares de alunos e
professores; lideres da juventude; · Outros
Agentes sociais da comunidade bairro/ residencial tais como profissionais
educadores de serviços de saúde, de serviços sociais, desportivos e
culturais, lideres da juventude, lideres de associações de pais/famílias de
moradores, policiais municipais (brigada militar, trânsito), juízes,
políticos e religiosos do conjunto da população. 2.- OBJETIVOS 2.1 Objetivos gerais Os objetivos gerais de prevenção as drogadependencias
na escola são os seguintes: · Retardar o início do uso de drogas legais
e ilegais para prevenir os problemas derivados do consumo; · Prevenir o consumo abusivo de drogas pelos
adolescentes; · Reduzir a taxa de jovens drogadependentes; · Formar atitudes e condutas positivas
voltadas à valorização da vida através da adoção de um estilo de vida
saudável, e desfavorável ao consumo de drogas; · Valorizar o potencial criativo pessoal e
atitudes sociais responsáveis num sentido de dignidade e de cidadania; · Reforçar aos pais da importância de
valorar e demonstrar atitudes e comportamentos positivos voltados a um estilo
de vida familiar saudável, desfavorável ao consumo de drogas; · Motivar e proporcionar a integração entre
comunidade escolar (professores, administradores/ direção, alunos) com as
famílias e distintos
grupos de moradores e lideranças
integrantes da comunidade, para tomada de decisões e resolução de
problemas relacionados com as drogas (oferta, disponibilidade,tráfico e
epidemiologia de consumo, drogadependentes). 2.2 Os
objetivos específicos Os objetivos específicos
desse modelo são os seguintes: 2.2.1
Junto aos alunos /estudantes · Promover e estimular atividades voltadas
ao autocuidado físico, psicológico e social que
promovam a saúde e bom desenvolvimento biopsicosocial; · Desenvolver habilidades sociais como
estratégias de resistência diante de pressões e situações de risco ao consumo
de drogas; · Promover a auto-estima e a capacidade para
estabelecer relações pessoais sólidas; · Ativar e fortalecer as relações interpessoais entre a escola, a família e a comunidade; · Demonstrar tolerância à frustração e
resistência a pressão do grupo social; · Conhecer e evitar práticas de risco; · Adquirir e dispor de uma bagagem de
conhecimentos necessários para estimular uma conduta alternativa livre de
drogas; · Estimular a manifestação do potencial de
criatividade e de sua
utilização voltada para assumir posição de agente social em
matéria de prevenção ao uso e abuso de drogas (legais e ilegais) entre os
amigos, companheiros de escola e grupos de iguais em sua comunidade; · Identificar líderes e habilitá-los para
assumir a posição de agente social incidindo nos lideres intermediários como
atores ativos disseminadores
de ações voltadas à prevenção as drogas e expansão de programas direcionados
a estilo de vida saudável; · Identificar precocemente o usuário
potencial e comportamentos de consumo disfuncional, visando prevenir efeitos
relativos aos problemas psicopatológicos e sócio-familiares. 2.2.2
Junto à família · Reforçar aos pais a importância de formar
atitudes positivas e manifestar comportamentos voltados para manutenção da
saúde física, psicológica e social dos membros da família; · Estabelecer e aperfeiçoar as formas de
comunicação familiar; · Dispor e habilitar os pais de uma bagagem
de conhecimentos para intervir na prevenção de drogas, incentivando-os que
assumam a posição de agentes preventivos eficazes em sua família e em seu
circulo social; · Aumentar o tempo de convívio e inter-relações
na família, através do fomento do ócio e tempo livre, e ativação de outras
atividades da vida cotidiana; · Abandonar/ Reduzir o consumo de
substâncias psicoativas (álcool, tabaco, medicamentos,
etc.) de parte dos membros adultos da família; · Motivar os pais para participar ativamente
das questões relacionadas com o ambiente escolar, e aqueles problemas
relacionados com o tema drogas, oportunizando-os a opinar na resolução de
problemas e a tomar decisões; · Motivar os pais para participar ativamente
como agentes multiplicadores de prevenção ao consumo de drogas e formadores
de condutas mais saudáveis de valorização da vida em sua comunidade, para promover a
abstenção do consumo de drogas legais e ilegais. 2.2.3
Junto à comunidade · Formar os distintos agentes sociais em matéria
de prevenção para que sejam multiplicadores motivando lideres de grupos
moradores/ vizinhança, clubes recreativo – social-cultural, clubes de
pais para se tornarem veículos de expansão do programas de prevenção ao uso e
abuso de drogas legais e ilegais; · Estabelecer e aperfeiçoar as redes de comunicação
social entre diferentes grupos, estimulando as relações interpessoais
intergrupos e intragrupo;
· Promover grupos de agentes de socialização
que manifestem seu potencial de criatividade criando materiais e atividades
direcionadas para adoção de um estilo de vida saudável, promovendo atividades
de ócio/ lazer e tempo livre na comunidade sem o consumo de drogas; · Utilizar os recursos humanos, recursos
urbanísticos (lazer, parques, praças), social e sanitário presentes no
contexto escolar para dinamizar e
expandir o programa de prevenção ao consumo de drogas; · Motivar os agentes sociais e lideranças da
comunidade para que num envolvimento conjunto entre escola, alunos e famílias
exerçam pressão, junto a autoridades locais, para tomada de decisões legais
efetivas diante dos problemas decorrentes das drogas, que afetam a comunidade
como um todo; · Avaliar os resultados do programa de
prevenção de drogadependencias. (Objetivo a curto,
médio e longo prazo). 3.-
PLANEJAMENTO DE AÇÕES DE EDUCAÇÃO PREVENTINA No planejamento de ações
educativas direcionadas a prevenção do uso e abuso, ou seja, do consumo
disfuncional de drogas “substâncias psicoativas
lícitas e ilícitas” que caracterizam a drogadependência
deve ser previsto uma ampla interdisciplinaridade. O trabalho
multidisciplinar numa perspectiva sistêmica deve envolver não somente o corpo
docente e administrativo da escola, mas também contar com o apoio de profissionais
especializados em problemas de prevenção de drogas como médicos, enfermeiros,
psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, sociólogos, antropólogos, juízes
e políticos implicados com o tema na comunidade e que formam parte da microsociedade formada pela comunidade escolar e
comunidade familiar. É imprescindível o envolvimento dos alunos como sujeitos
ativos e de sua família (pais) por ter esta uma relação direta com a
educação e formação dos filhos e para a eficácia do programa educativo de
prevenção a drogadependências. 3.1
Estratégias A partir do modelo holístico
integrador as estratégias adotadas para desenvolvimento de atividades ou
programas de educação preventiva devem priorizar atitudes direcionadas a
prevenção primária e secundária a drogadependência.
O planejamento das estratégias de prevenção deverá ser adaptado à situação
real para alcance dos objetivos pretendidos. Partir, portanto, da
interpretação da realidade concreta, considerar o tipo de contexto escolar sócio-econômico-cultural, a população alvo, a existência
de recursos econômicos, materiais e humanos na escola, a presença de grupos
de agentes sociais influentes na comunidade, os meios de comunicação de peso
e outras entidades recreativas,
sociais, esportivas, culturais e de lazer, a existência de serviços de
prevenção e tratamento de drogadependencias, e de
promoção à saúde através da adoção de
estilo de vida saudável. Os métodos de abordagem do
problema das drogas a serem adotados devem mobilizar o potencial psicoafetivo, cognitivo e social dos beneficiados pelo programa
de intervenção educativa a prevenção ao uso e a drogadependencia.
Na escolha dos métodos de abordagens, dar prioridade aos métodos ativos
criativos, promotores de estabelecimento de uma comunicação intra e interpessoal,
estimulador de expressão verbal e não verbal, incentivador da expressão do
potencial de criatividade na realização de trabalhos individuais e de grupo,
facilitadores de intercâmbios contínuos entre os estudantes com o corpo
docente, estudantes e familiares e outros agentes sociais integrantes do
contexto escolar e do contexto sócio- cultural comunitário. 3.1.1
Técnicas de abordagens As Técnicas mais
utilizadas devido aos bons resultados alcançados, que podem viabilizar os
objetivos estabelecidos neste modelo são as seguintes: · Dinámica de grupo: resolução de problemas e tomada de
decisões direcionadas a -
prevenir a pressão do grupo; - prevenir a perda de valores; · Rol-Playing; · Sociodrama; · Relax
imaginativo; · Fórum
associado ao cine, ao vídeo e outros meios audiovisuais, diapositivos e
transparências; · Turbilhão de Idéias (TI) ou “brainstorming” · Teatro, dramatização; · Jogos
pedagógicos de clarificação de valores, de simulação, de solução de
problemas, de tomada de decisões; · Campanhas de motivação; · Gincanas, competições esportivas; · Concursos literários, contos; · Entrevistas com especialistas,
legisladores, políticos, administradores, etc. 3.2 Recursos materiais e humanos Para que os objetivos de
prevenção as drogadependencias e as estratégias que
pretendemos utilizar sejam viáveis, devemos levar em consideração os
materiais que temos disponíveis e que vamos empregar, bem como os recursos
humanos, ou seja pessoal habilitado que participará
ativamente desde o planejamento, da implantação e do desenvolvimento do
modelo , bem como de sua avaliação contínua. 3.2.1
Recursos materiais Para a elaboração de materiais didáticopedagógico deve ser envolvido e utilizado o
potencial expressivo de criatividade dos alunos/ estudantes, de professores,
de pais/ familiares, e outros agentes sociais educadores da comunidade numa
ação multidisciplinar. Os materiais propostos podem ser cartazes, folders, jornais/ boletins informativos, fichas de
trabalho, gravações, textos, contos/ histórias, jogos de saúde, álbuns de
saúde, audiovisuais (multimídia, diapositivos, vídeos, etc.), markting/propaganda do programa (camisetas, bonés,
pastas, balões, canetas, guarda sol, etc para
aquisição.). A utilização de recursos
materiais já disponíveis como: livros de consulta e leitura,
revistas com matérias sobre tema drogas, jogos pedagógicos, publicações
boletins/jornais especializados, vídeos gravados de debates em grupos na
imprensa e meios de comunicação, teleconferência. 3.2.2 Recursos humanos Os professores e demais
profissionais especializados e demais envolvidos na aplicação do modelo
holístico de prevenção ao uso e abuso de drogas na escola devem ser
habilitados através de programas de formação que enfatizem uma visão de
ecologia humana. Os conhecimentos teóricos e práticos devem estar apoiados em
conhecimentos científicos compatíveis às características psico-socio-educativas
e culturais dos estudantes e grupos de jovens beneficiários-alvo
(crianças e adolescentes). Os pais /familiares, estudantes como agentes
comunitários, e outros agentes sociais deverão também ser habilitados com
programas de formação que também enfatize uma visão de ecologia humana. Consideramos ser imprescindível
o investimento em programas de Formação Permanente dos professores; dos pais/
familiares; de alunos/ estudantes como agentes sociais comunitários; de
outros agentes sociais (técnicos da saúde, as. Sociais, policia, etc..) como
mediadores presentes em serviços existentes na comunidade. CONSIDERAÇÕES
Este modelo holístico se
fundamenta na análise do estilo de vida que pré
determina os fatôres de risco ao nível individual, microsocial e macrosocial que
em conjunto favorecem as condições de vulnerabilidade dos adolescentes para o
consumo de drogas. O conhecimento dos fatores de risco presentes no contexto macrosocio-cultural e microsocial
onde se pretende propor um programa preventivo ao consumo de drogas é de
extrema importância, por permitir e oferecer uma fundamentação segura para o
planejamento de estratégias contextualizadas, bem como sua implantação e
avaliação sistemática. Os fatores de risco pessoal são decorrentes das
características físicas e da identidade pessoal dos indivíduos, tais como: autoconceito negativo, baixa autoestima,
insegurança na ação, ausência de autonômia,
incapacidade para resolução de conflitos e lidar com determinadas situações, escasa tolerância à frustração, ausência de valores ético-morais, atitudes e condutas manifestas de
rejeição das normas sociais e problemas nas relações interpessoais
e sociais. O conhecimento dos fatores de
risco presentes no contexto microsocial -
família, escola e grupo de iguais -, ao qual o indivíduo está vinculado
afetivamente, são de extrema importância para no momento adequado poder
manter e corrigir hábitos, atitudes e condutas. Eles desempenham um papel
relevante na configuração de um estilo de vida saudável ou de um estilo de
vida de risco de consumo disfuncional de drogas. O contexto macrosocial
- bairro
cidade, -
entendido como as condições sociais e culturais onde se desenvolvem as
crianças e adolescentes, contém a totalidade de influências e estímulos que
estes internalizam durante todo seu desenvolvimento biopsicosocial
e contribui para a configuração de seu próprio sistema de valores e atitudes,
tanto vitais como perante as drogas. Os fatores de risco presentes no
contexto macrosocial e cultural, tais como um
sistema de valores sócio cultural dominante, determinadas atitudes sociais,
normas de controle, relações sociais deterioradas, má ocupação e
administração do ócio e tempo livre, influência dos meios de comunicação
social, geram adoção de estilos de vida susceptíveis de criar uma percepção e
uma valorização positiva do consumo de drogas. Estes fatores são predeterminantes
a propensão, uso e abuso, consumo disfuncional, rechaço e configuram o quadro
revelador da drogadicção na adolescência. Os
fatores de risco que emergiram através do conhecimento do Estilo de Vida
(pais e filhos) manifestado pelos estudantes adolescentes participantes da
investigação subsidiaram o modelo holístico. A partir deste conhecimento e
das indicações expressadas pelos adolescentes será possível: identificarmos
os fatores de proteção presentes na realidade familiar, na escolar em sua dinâmica interna e
contextualizada, no contexto sociocultural residencial, no ambiente macrosocial; e planejar atividades preventivas ao uso e
abuso de drogas entre pré-adolescentes e adolescentes. Os indicadores de fatores de
risco resultantes da investigação que oportunizaram a construção deste modelo
podem servir de referência para o planejamento de programas de prevenção em
outros contextos. BIBLIOGRAFIA Krowczuk,
Elizabeth Remor (2005). Modelo holístico de prevenção ao uso e abuso de
drogas nas escolas da rede pública e privada de Porto Alegre-RS-Brasil.
In: Drogadicção na adolescência,
políticas de ação e modelos educativos de prevenção: estudo comparativo entre
estudantes da rede de ensino médio de Porto Alegre-RS-Brasil.
Santiago de Compostela: Universidade de
Santiago de Compostela, ES, 2004.p.298-307. Servizo de Publicacións e
Intercambio Científico de la Universidade de
Santiago de Compostela, Teses de Doutoramento CC.
Da Educación; 2005. IBSN: 84-9750-567-0, Depósito Legal:
C-202-2005 |
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