<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> VIOLêNCIA COMUNICATIVA
Revista Recre@rte Nº4 Diciembre 2005 ISSN: 1699-1834                              http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte04.htm

 

VIOLêNCIA COMUNICATIVA : uma lista para auto-avaliação.

 

Francisco Gomes de Matos, Comissão de Direitos Humanos Dom Helder

Câmara, CAC/UFPE,Recife e-mail : fcgm@hotlink.com.br

 

Dentre os conceitos-chave referentes à espécie humana, a violência ocupa um dos lugares primaciais .Por isso, no sistema educacional de muitos países há grupos de estudos voltados para os diversos tipos de violência,segundo a classificação tradicional: violência direta”(concreta,cometida em/por alguém ) e violência “estrutural”(muitas vezes imperceptível, institucionalizada) . Um exemplo de iniciativa : no Centro de Ciências da Saúde , Universidade Federal de Pernambuco, funciona um Núcleo de Saúde Pública e Desenvolvimento Social, coordenado pelo médico-escritor Geraldo Pereira. Esse órgão promove um Fórum Acadêmico, ”Pensando a Violência”, cuja 32 a reunião (27/09/2005) teve como palestrante Dr João Braga, Secretário de Defesa Social do Estado de Pernambuco.

Violência e Pai Nosso

Um complexo processo desumano/desumanizador, a violência tem múltiplas manifestações, dele ocupando-se profissionais de muitas áreas, dentre as quais Psicologia, Antropologia, Sociologia, Criminologia, Relações Humanas, Comunicação, Lingüística e Análise do Discurso.

Em seminários e oficinas pedagógicas sobre Paz Comunicativa, costumo desafiar os participantes a identificarem acontecimentos violentos (que substantivos usamos para representá-los em português); em seguida, peço que explicitem ações violentas (quais alguns dos verbos correspondentes). Após o intercâmbio das listas grupais, pergunto : que ações violentas têm a ver com a comunicação ? Imediatamente ouço esta resposta: ”muitos dos verbos mencionados” . . Assim, o grupão percebe que numa enumeração de “verbos violentos”, a maior parte se refere a atos comunicativos realizados através da língua falada ou escrita. Aproveito o momento e lembro uma das lições aprendidas no Pai Nosso: “perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Como o verbo “ofender” geralmente aparece nas listas compiladas pelos participantes, engajo a turma numa discussão sobre a diferença entre “ofensa” e “ ofensividade”. A propósito, no Dicionário UNESP do Português Contemporâneo, de Francisco S.Borba, publicado pela Editora UNESP edm 2004, no verbete sobre “ofensividade” encontrei esta frase exemplificativa:

“Não acho que minhas palavras contivessem qualquer ofensividade”(p.985). O(a) leitor(a) certamente terá experimentado situações em que disse ou ouviu dizer “Não quis ofender”. Essa capacidade de perceber que palavras causar efeitos danosos nas pessoas surge bem cedo em nossa vida lingüística. Assim, crianças logo aprendem que palavras podem ser usadas para fazer o bem ou fazer o mal. Apesar da importância social,comunicativa desse tipo de aprendizagem, ainda não se encontra sistematizado para uso nos currículos escolares : mais um desafio para os que atuam em Educação para a Paz, Psicologia da Paz, Lingüística Aplicada à Paz. Onde encontrarmos informações sobre a possível ofensividade de palavras? Em Dicionários que adotem rótulos para identificação desses usos violentos . No dicionário Supracitado, por exemplo, encontramos os rótulos “chulo” e “depreciativo”. E se as palavras forem insultuosas,ofensivas, vulgares ?

Estarão devidamente rotuladas ? Verifique isso em nossos dicionários e em obras publicadas no exterior. Nos encontros sobre Paz e Violência Comunicativas, partilho uma lista que pode ser usada para avaliação da ofensividade em língua portuguesa. No Quadro , o(a) leitor(a) encontrará, em ordem alfabética, uma relação de verbos que podem exprimir graus de violência comunicativa.

Ao ler cada verbo, pergunte-se : Já terei causado( ou sofrido) esse mal comunicativo? Como posso exercer controle sobre o lado desumanizador de meu vocabulário,principalmente quanto a verbos que representam ações violentas?

Se uma das prioridades na área de Segurança Humana é o controle e prevenção da Violência Física, aqui também se inclui o da violência através dos usos da linguagem falada, escrita, gestual.

A lista pode ter outras utilidades, além da auto-avaliativa ou preventiva: pode ser comparada a outro tipo de enumeração, na qual seriam incluídos verbos que representam ações não-violentas, ou, como prefiro dizer, promotores da paz comunicativa. Quantos verbos pacíficos, construtivos integrarão nosso vocabulário, nossos modos de inter agir com “o próximo” ?

Que os leitores ampliem a exemplificação (usem os verbos em contextos realistas) e refletiam sobre sua condição comunicativa atual e que pretende fazer para diminuir a ofensividade, reflexo da imensa falibilidade e fragilidade humanas. Que a paz comunicativa reine entre nós e que a violência na comunicação mereça a atenção de todas as pessoas co-responsáveis pela saúde comunicativa neste planeta .

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Violência Comunicativa: Lista de Verbos

A chincalhar, afrontar, agredir, ameaçar, amaldiçoar, antagonizar, arrazar (com alguém), aviltar, assediar

B ater boca (com alguém)...

C aluniar,chocar ,crucificar...

D epreciar, desacatar, desconsiderar, descompor, desdenhar,desrespeitar, destratar, difamar, diminuir (alguém), discriminar....

E spezinhar, esculachar, esculhambar, escrachar, espinafrar, espicaçar...

F alar mal de, fustigar, ferir (verbalmente)

G ritar (com alguém)

H ostilizar, humilhar...

I ntimidar, injuriar, ironizar, importunar...

J ogar (uma pessoa contra outra)...

L ascar (a língua em alguém)

M achucar, magoar, maltratar, melindrar, molestar, maldizer,.minimizar (alguém)...

N ocautear( com argumentos)...

O fender, oprimir..

P erturbar, provocar, praguejar (contra alguém), proferir imprecações...

Q ueimar (alguém,com palavras)

R idicularizar..

S atirizar, sacanear (com piadas grosseiras)

T ratar mal...

U ltrajar...

V ilipendiar...

X ingar...

Z ombar...

 

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Julio 2005. INTENSIVO.    www.micat.net