<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> PSIQUISMO PARENTAL E A PREMATURIDADE
Revista Recre@rte Nº3 Junio 2005 ISSN: 1699-1834                                 http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte03.htm

PSIQUISMO PARENTAL E A PREMATURIDADE

RELATORIO PARCIAL DE PESQUISA

Sidirley de Jesus Barreto

 

I INTRODUÇÃO

1.1 Resumo

Estudos recentes têm demonstrado uma nova realidade acerca das implicações relacionadas ao psiquismo pré e perinatal. Os progressos da ultra-sonografia têm permitido acompanhar o desenvolvimento do feto, assim como as pesquisas no campo da genética vêm possibilitando detectar e intervir clínica e cirurgicamente nos distúrbios e malformações in útero.

No contexto da saúde mental, há uma imensidão de estudos que visam ampliar as descobertas sobre a gestação, suas implicações no feto e na mente do bebê, além da forma como a história pessoal dos pais influencia neste contexto.

Contudo, apesar dos avanços técnicos e teóricos, a gestação e seus envoltos apresenta-se como um campo obscuro a ser decifrado pela Psicologia, que recentemente vem abordando o tema através de pesquisas e atuações em UTI's neonatais, com gestantes de alto risco e entre outras complicações. O que se têm evidenciado são surpreendentes resultados obtidos através da possibilidade de descobertas e intervenções em casos limítrofes de mães e bebês que apresentavam prognósticos médicos muito sombrios.

 

1.2 Justificativa

A partir dos avanços tecnológicos e descobertos acerca dos efeitos da interação dos pais com os bebês durante a gestação e o desenvolvimento dos mesmos, muito se tem estudado acerca do psiquismo pré e perinatal, acarretando mudanças nos paradigmas e idéias vigentes anteriormente.

O feto, que antes era considerado um ser vegetativo, agora passa à condição de ser humano em formação que, além de escutar o que se passa no meio intra e extra-uterino, possui a capacidade de memorizar estes estímulos, diferenciando tanto a voz de sua mãe, quanto de homens e mulheres.

Isto se dá devido à sensibilidade do feto a estímulos sensoriais, sejam eles olfativos, gustativos, tácteis, nos órgãos de equilíbrio e até mesmo em menor grau, visuais.

Assim, há que se levar em conta que o feto está exposto aos estímulos do mundo exterior e principalmente à forma como a gestante vive sua gravidez, o que certamente afetará o desenvolvimento sensório-motor e emocional do mesmo.

Desta forma, a gestação dá-se não somente a nível biológico, através da interação do feto com o corpo da mãe, mas, através do lugar dado ao futuro bebê no psiquismo dos pais. São necessários nove meses para a gestação do bebê no corpo da mãe e o mesmo tempo para a construção da imagem do futuro bebê no psiquismo materno.

Contudo, esta não é uma tarefa fácil. Pois, a possibilidade de construção desta imagem, assim como a forma de constituição da mesma, está intrinsecamente articulada à história pessoal dos pais e posteriormente à maneira como a função materna ou o exercício da maternagem será realizado no bebê.

Isto ocorre desde a antecipação subjetiva que os pais fazem no pequeno bebê, e através da atividade materna de interpretação - supor nos choros e gritos do bebê um pedido de fome, de carinho ou de atenção.

A construção da imagem do bebê no psiquismo parental sempre estará articulada às suas histórias de vida e conseqüentemente colocará em jogo as suas fantasias, representações, perdas, lutos não realizados, enfim, suas fantasmáticas subjetivas virão à tona através da identificação dos pais com o bebê, já que é somente desta forma que poderão suprir suas necessidades.

É justamente neste aspecto que reside os problemas de interação, tanto com o feto quanto com o bebê. Pois, não é raro ver pais que abandonam seus filhos por estarem incapacitados de exercerem esta função, assim como mães que têm abortos consecutivos em função de sua problemática familiar.

Desta forma, esta pesquisa faz-se relevante por tratar de um campo extremamente inovador e incipiente em pesquisas sobre o assunto, apresentando-se como um instrumento de prevenção dos problemas ocorridos durante a gestação, no parto e após o nascimento do bebê. Seu tema – causas dos partos prematuros - representa uma das principais causas da elevada taxa de mortalidade perinatal: Os partos prematuros são responsáveis por 75% das mortes de recém nascidos no Brasil e por uma enormidade de complicações ocorridas após o nascimento, principalmente no que se refere às patologias psíquicas ocorridas com o bebê em conseqüência de falhas no estabelecimento da relação dos pais com este.

 

1.3 Perguntas de Pesquisa

1.3.1 Qual a relação entre a história de vida dos pais e parto prematuro?

1.3.2 Como se dá a gestação de bebês cujos pais possuem uma história pessoal de perdas e abandonos?

1.3.3 Qual a relação entre gravidez de alto risco e parto prematuro?

1.3.4 De que forma a história pessoal dos pais se configura para receber o bebê e quais os seus efeitos na gestação?

1.4 Objetivos

1.4.1 Identificar qual a relação entre história de vida dos pais e parto prematuro;

1.4.2 Investigar como se dá a gestação de bebês cujos pais possuem uma história pessoal de perdas e abandonos;

1.4.3 Identificar qual a relação entre gravidez de alto risco e parto prematuro;

1.4.4 Caracterizar de que forma a história pessoal dos pais se configura para receber o bebê e quais os seus efeitos na gestação;

III METODOLOGIA

3.1 Tipo de Pesquisa

Em se tratando de uma pesquisa qualitativa de referencial psicanalítico, para a coleta de dados utilizar-se-á dos seguintes instrumentos:

•  Entrevista não-diretiva realizada com o auxílio de um gravador, com a devida autorização do entrevistado, que possui pré-estruturação mínima e padronizada com a seguinte questão inicial: “Gostaria que você me falasse sobre sua gravidez”.

A entrevista não-diretiva é um instrumento que possibilita a fluência do discurso, assim como espontaneidade do entrevistado segundo suas particularidades. Conforme BLEGER (1989) quem comanda a entrevista não-diretiva é o pesquisador, mas quem a dirige é o entrevistado, possibilitando assim, que o pesquisador possa perceber as nuances da comunicação e expressão do entrevistado, assim como a seqüência e organização de suas falas.

•  Avaliação descritiva do histórico médico de cada gestante, emitido mensalmente pelo médico responsável, a fim de averiguar, além das causas orgânicas associadas às complicações gestacionais, a relação entre estas e os dados obtidos na entrevista. Pois, segundo CAON (2000) a pesquisa psicanalítica é eminentemente comparativa e por sua vez, está baseada na exposição de dois objetos num mesmo âmbito para deles retirar suas semelhanças e diferenças.

3.2 População e Amostra

A populações de estudo – gestantes atendidas pelo Hospital Santo Antônio e Ambulatório Geral da FURB – localizados no município de Blumenau, constitui-se de duas amostras:

•  Grupo Controle: Dez gestantes consideradas de alto risco, com idade gestacional entre a 4 ª e 37 ª semanas de gestação, que permanecem internadas e em atendimento obstétrico no Hospital Santo Antônio;

•  Grupo Experimental: Dez gestantes sem risco ou consideradas normais, com idade gestacional situada entre a 4 ª e 37 ª semanas de gestação, que permanecem em atendimento obstétrico no Ambulatório Geral da FURB;

3.3 Análise dos Dados

a) O primeiro instrumento de pesquisa - entrevista não-diretiva – permitirá que se possa averiguar a história pessoal dos pais, já que diante do discurso do entrevistado, o pesquisador poderá fazer perguntas de acordo com os interesses da pesquisa, assim como, de acordo com o que está sendo enunciado. E obter dados mais complexos a respeito da vida do entrevistado.

b) O segundo instrumento - avaliação descritiva do histórico médico de cada gestante - possibilitará verificar os antecedentes obstétricos da entrevistada, assim como confrontar estes dados com aqueles obtidos na entrevista.

A análise será realizada, primeiramente através da descrição e comparação entre os dados obtidos na entrevista e aqueles encontrados no prontuário das gestantes de cada grupo. Estes serão organizados em um quadro comparativo, que busca averiguar as correlações existentes entre as variáveis: História pessoal dos pais e parto prematuro.

Após este procedimento, serão confrontados os dados obtidos a partir dos dois grupos: Controle (gestantes de alto-risco) e Experimental (gestantes sem risco), a fim de analisar as relações entre a história pessoal dos pais, gravidez de alto-risco e parto prematuro.

 

IV RESULTADOS PARCIAIS

Cumprindo com o cronograma de pesquisa, a bolsista desenvolveu as seguintes atividades:

- Revisão da literatura referente ao assunto;

- Mapeamento da Amostra: Na proposta original, a pesquisa seria desenvolvida no Ambulatório Geral da Fundação Universidade Regional de Blumenau onde se encontram as gestantes consideradas normais e no Hospital Santo Antônio da cidade de Blumenau onde se encontram as gestantes consideradas de alto-risco. Contudo, devido ao fato da bolsista desenvolver um estágio extracurricular no referente Hospital, os dois grupos pesquisados (gestantes normais e de alto-risco) serão investigados somente no Ambulatório Geral da FURB. Já que, além do fato deste ambulatório atender também gestantes consideradas de alto-risco, preservou-se uma postura ética no desenvolvimento desta investigação, pois, o envolvimento profissional da bolsista com o hospital poderia comprometer a esperada neutralidade na coleta e análise dos dados. Ou seja, partimos do pressuposto de que quanto mais distante o pesquisador esteja da realidade pesquisada, maior são as possibilidades de isenção subjetiva do pesquisador e interferências no universo pesquisado.

Sendo assim, foi marcados um horário com o Diretor do Ambulatório Universitário: Dr. Sergio Schaeffer e com a Enfermeira Chefe Silvana Schoereder onde se apresentou a proposta de pesquisa e a forma como esta seria desenvolvida.

Obtivemos total apoio e autorização por parte do diretor e da enfermeira, que nos apresentou as possibilidades de execução.

Desta forma, o grupo de gestantes considerado normal, foi localizado a partir dos prontuários médicos emitidos mensalmente pela Dra. Clarissa Reck – obstetra que acompanha as gestantes consideradas normais, em seu pré-natal.

Já o grupo de gestantes considerado de alto-risco foi localizado a partir dos prontuários médicos emitidos mensalmente pelo obstetra Marco Antônio Wanrowsky, responsável pelo acompanhamento pré-natal de risco.

A partir da investigação desses prontuários, selecionou-se a amostra dos dois grupos: Controle (gestantes de alto risco) e Experimental (gestantes sem risco) baseados nos seguintes critérios:

•  Ter idade gestacional entre 16ª e 32ª semanas de gestação. Valendo ressaltar, quando na proposta inicial, a idade gestacional seria entre 4º e 37º semanas. Contudo, em função do cronograma de pesquisa, tornou-se inviável. Então, trabalharemos com a idade gestacional entre 4 e 8 meses.

Após a seleção da amostra nos dois grupos, foi feita a descrição do histórico médico de cada gestante e entrou-se em contato com os sujeitos pesquisados a fim de marcar dia e hora para a realização da entrevista.

V DISCUSSÕES PARCIAIS

A partir das atividades já realizadas, pudemos perceber que as gestantes consideradas de alto risco, em sua maioria apresentam um histórico médico marcado por partos prematuros e abortos espontâneos. Enquanto que as consideradas de gestação normal, não apresentam tantos antecedentes como as outras.

Nesse sentido, não temos possibilidades nesse momento de prever algum resultado, já que, como consta em nossa proposta inicial, nesses dois grupos, estaremos investigando quais terão maior incidência de partos prematuros, procurando assim, analisar as relações entre as variáveis: história pessoal dos pais, gravidez de alto risco e parto prematuro.

 

VI PRÓXIMAS ATIVIDADES

•  Realização das entrevistas;

•  Transcrição literal das entrevistas;

•  Análise dos dados;

•  Discussão dos resultados;

•  Conclusões;

•  Elaboração do Relatório Final e artigo científico;

 

REFERÊNCIAS

1. BARATTO, G. “Da estruturação da imagem do corpo pela instância do olhar” . In: Coleção Psicanálise da Criança: Coisa de Criança v.1, n.1 (1991). Organização Maria Cristina Machado Kupper. Salvador: Àgalma, 2000.

2. BARTILOTTI, M M. B. “Retardo do Crescimento Intra-Uterino” . In: Obstetrícia psicossomática/ Marcelo Zugaib, José Júlio Tedesco, Julieta Quayle. – São Paulo: Atheneu, 1997.

3. BLEGER, J. “Temas de Psicologia – Entrevista e Grupos”. São Paulo: Martins Fontes, 1989.

4. BUSNEL, M. C. “A Sensorialidade Fetal e Suas Conseqüências”. In: Decifrando a Linguagem dos Bebês: Anais do Segundo Encontro Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal. São Paulo: ABREP – Associação Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal, 1997.

5. CABASSU, G. “Palavras em torno do berço” . In: Palavras em torno do berço: intervenções precoces bebê e família. Daniele de Brito Wanderley, org. – Salvador, BA: Àgalma, 1997.

6. CAMAROTTI, M. C. “Observação terapêutica de um bebê de pais psicóticos” . In: Palavras em torno do berço: intervenções precoces bebê e família. Daniele de Brito Wanderley, org. – Salvador, BA: Àgalma, 1997.

7. CAON, J. L. “Serendipidade, comparatismo e transdisciplinaridade da pesquisa psicanalítica: contribuição para o entendimento da formação de insocorridade humana numa experiência de situação-limite” . In: Ciência, pesquisa, representação e realidade em psicanálise/ Raul Albino Pacheco Filho, Nelson Coelho Junior, Miriam Debieux Rosa (orgs.) – São Paulo: Casa do Psicólogo: EDUC, 2000.

8. CORIAT, E. “Psicanálise e Clínica de Bebês” . Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1997.

9. CURY, A. F. “Psicodinâmica da Gravidez” . In: Obstetrícia psicossomática/ Marcelo Zugaib, José Júlio Tedesco, Julieta Quayle. – São Paulo: Atheneu, 1997.

10. FLORÊNCIO, J. H. O. “Grandes Temas da Medicina: Manual Ilustrado de Anatomia, Doenças e Tratamento / Gravidez e Parto” . São Paulo: Nova Cultural, 1990.

11. GESELL, A. (1880-1961). “A criança do 0 aos 5 anos” . 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

12. LAZNIK-PENOT, M. C. “Poderíamos pensar numa prevenção da síndrome autística?” . In: Palavras em torno do berço: intervenções precoces bebê e família. Daniele de Brito Wanderley, org. – Salvador, BA: Àgalma, 1997.

13. LEBOVICI, S. “O Bebê, a mãe e o psicanalista” . Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

14. LEVIN, E. “A infância em cena: constituição do sujeito e desenvolvimento psicomotor” . Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.

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16. NINA, M. D. “Êmese-Hiperêmese” . In: Obstetrícia psicossomática/ Marcelo Zugaib, José Júlio Tedesco, Julieta Quayle. – São Paulo: Atheneu, 1997.

17. QUAYLE, J. “O Abortamento Espontâneo e Outras Perdas Gestacionais” . In: Obstetrícia psicossomática/ Marcelo Zugaib, José Júlio Tedesco, Julieta Quayle. – São Paulo: Atheneu, 1997.

18. SZEJER, M. “Feto, Recém-nascido e Pais Envolvidos na Linguagem” . In: Decifrando a Linguagem dos Bebês: Anais do Segundo Encontro Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal. São Paulo: ABREP – Associação Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal, 1997.

19. TEDESCO, J. J. de A. “Aspectos Emocionais da Gravidez de Alto Risco” . In: Obstetrícia psicossomática/ Marcelo Zugaib, José Júlio Tedesco, Julieta Quayle. – São Paulo: Atheneu, 1997.

20. TELLES, V. S. “A Experiência na Faculdade de Psicologia da Universidade de São Paulo” . In: Decifrando a Linguagem dos Bebês: Anais do Segundo Encontro Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal. São Paulo: ABREP – Associação Brasileiro para o Estudo do Psiquismo Pré e Perinatal, 1997.

21. WANDERLEY, D. de B (org.). “Palavras em torno do berço: intervenções precoces bebê e família” . Salvador, BA: Àgalma, 1997.

22. WANDERLEY, D. de B.(org.) “Em busca do trono perdido” . In: Palavras em torno do berço: intervenções precoces bebê e família. Salvador, BA: Àgalma, 1997.

23. WINNICOTT, D. W. 1896-1971. “Psicoses e Cuidados Maternos” (1952). In: Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas/ por D. W. Winnicott – Rio de Janeiro: Imago, 2000.

24. WINNICOTT, D. W. 1896-1971. “A Preocupação Materna Primária” (1956). In: Da pediatria à psicanálise: obras escolhidas/ por D. W. Winnicott – Rio de Janeiro: Imago, 2000.

 

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